# Como instalar o Ceph no Proxmox: passo a passo

O Ceph é um sistema de armazenamento distribuído que se integra muito bem ao Proxmox e oferece uma solução altamente disponível e tolerante a falhas. Neste guia, você vai aprender, passo a passo, como instalar um cluster Ceph no seu servidor Proxmox.

## Passo 1: verificar os pré-requisitos

Antes de iniciar a instalação do Ceph no Proxmox, verifique se o seu ambiente atende aos requisitos básicos. O Ceph funciona replicando dados **entre vários servidores**. Para que essa redundância funcione de forma confiável, é necessário ter pelo menos três nós Proxmox. Dessa forma, o sistema continua funcionando mesmo se um nó falhar.

Além disso, verifique se a [instalação bare metal do Proxmox](https://www.ionos.com/pt-br/digitalguide/servidor/configuracao/proxmox-bare-metal-instalacao/) está concluída em todos os servidores e se o sistema está atualizado. Cada nó deve ter **um disco rígido próprio e não utilizado**, dedicado exclusivamente aos OSDs do Ceph. Esses discos formam a base de armazenamento do cluster. **Uma conexão de rede rápida e estável** entre os nós também é essencial para manter a latência baixa. Você também precisa de acesso root em todos os hosts, já que a instalação faz alterações diretas no sistema.

Verifique com o comando abaixo qual versão do [Proxmox](https://www.ionos.com/pt-br/digitalguide/servidor/conhecimento/proxmox/) está instalada no sistema:

```bash
pveversion
```

Compare as versões em todos os nós. Se houver diferenças ou se o sistema não estiver atualizado, faça uma atualização para deixar todos os nós na mesma versão.

```bash
apt update && apt full-upgrade -y
reboot
```

Assim que todos os nós estiverem atualizados e acessíveis, o ambiente estará pronto para instalar o Ceph.

Nota Embora não seja obrigatório, é altamente recomendável usar SSDs em ambientes produtivos com Proxmox Ceph. O Ceph se beneficia muito de altas velocidades de leitura e gravação, já que cada dado é replicado várias vezes e distribuído entre diferentes nós.

## Passo 2: ativar o repositório do Ceph

Para instalar o Ceph com mais facilidade usando o gerenciador de pacotes, primeiro você precisa ativar o **repositório adequado em cada nó Proxmox**. Esse repositório contém todos os pacotes do Ceph necessários para instalação e operação no Proxmox, adaptados e testados especificamente para esse ambiente. Faça login como root em cada host e execute o comando abaixo:

```bash
pveceph install
```

Esse comando configura automaticamente o repositório oficial do Ceph no Proxmox e instala os componentes básicos. Em seguida, atualize a lista de pacotes para ativar as novas fontes:

```bash
apt update
```

## Passo 3: inicializar o Ceph no primeiro nó

No terceiro passo, você prepara o cluster Ceph no primeiro nó Proxmox. Aqui, você define a rede usada para a comunicação do cluster e configura o primeiro **monitor**. O monitor é um dos componentes mais importantes do Ceph: ele acompanha o estado do cluster, gerencia os nós participantes e garante que todos os componentes tenham informações consistentes.

Inicie a configuração no primeiro host Proxmox com o comando:

```bash
pveceph init --network 10.0.0.0/24
```

A sub-rede 10.0.0.0/24 é apenas um exemplo. Use a rede interna pela qual os nós Proxmox se comunicam diretamente. O comando `pveceph init` cria a configuração básica do Ceph no seu primeiro nó. Durante esse processo, o Proxmox gera, entre outras coisas, **o arquivo central de configuração do cluster, o keyring do Ceph para autenticação dentro do cluster e os diretórios de sistema necessários** para os serviços do Ceph. Depois da inicialização, configure o primeiro serviço de monitor:

```bash
pveceph createmon
```

Esse comando inicia o serviço de monitor e o registra no cluster. A partir desse momento, você já tem um nó Ceph funcional, embora ainda isolado. O monitor começa a coletar informações de status e cria a base para a comunicação com os outros nós.

Nota Em um cluster Ceph, normalmente são usados pelo menos três monitores. Isso permite que o cluster continue funcionando mesmo se um monitor falhar, já que os monitores restantes ainda conseguem se coordenar. Só com vários monitores o Ceph consegue atingir o quorum, ou seja, uma maioria ativa que permite ao cluster decidir de forma confiável sobre o seu estado.

## Passo 4: adicionar mais nós ao cluster

Para que o Ceph ofereça tolerância a falhas, agora você precisa **adicionar os outros nós Proxmox ao cluster Ceph**. Cada nó adicional aumenta a redundância e a capacidade de armazenamento. Acesse os outros nós e execute os comandos abaixo, na ordem:

```bash
pveceph install
pveceph createmon
```

Assim, você também configura monitores nos outros hosts. Quando todos os monitores estiverem ativos, verifique o status do cluster em qualquer nó com o comando:

```bash
ceph -s
```

A saída mostra quais monitores e serviços estão em execução. Se vários monitores aparecerem listados, os nós foram integrados com sucesso.

## Passo 5: criar OSDs

Os **OSDs (Object Storage Daemons)** são o núcleo do cluster Ceph. Cada disco usado no Ceph passa a funcionar como um OSD independente. Esses daemons são responsáveis por gravar, replicar e disponibilizar os dados quando solicitados por outro nó ou por uma máquina virtual. Quanto maior o número de OSDs, maior será tanto a capacidade de armazenamento quanto o desempenho do cluster. Antes de iniciar a configuração, verifique quais discos estão disponíveis no nó. Você pode fazer isso com o comando abaixo:

```bash
lsblk
```

A saída mostra todas as unidades reconhecidas e suas partições. Use apenas discos que **não estejam em uso, não contenham o sistema operacional e não estejam montados**. Depois de identificar um disco adequado, no nosso exemplo `/dev/sdb`, inicialize-o como OSD:

```bash
pveceph createosd /dev/sdb
```

O disco será formatado automaticamente, e o Ceph configurará toda a estrutura necessária. Em seguida, o daemon OSD é iniciado e integrado ao cluster. Todos os dados existentes no **disco selecionado serão apagados**, então confirme que ele será usado exclusivamente para o Ceph.

Repita esse processo em todos os nós e para todos os discos que você deseja integrar ao armazenamento Ceph. Dependendo do tamanho do cluster e do hardware, a integração completa pode levar alguns minutos.

Depois disso, verifique se os OSDs foram reconhecidos corretamente e estão ativos, usando o comando abaixo:

```bash
ceph osd tree
```

A visualização em árvore facilita a identificação de como os dispositivos de armazenamento estão distribuídos no cluster e se estão operando sem erros.

## Passo 6: ativar o Ceph Manager e o Dashboard

Para monitorar e gerenciar o cluster com mais facilidade, instale o **Ceph Manager** (MGR). Esse serviço coleta métricas de desempenho, monitora os componentes ativos e oferece funções adicionais por meio de vários módulos. Um desses módulos é o Dashboard Web integrado. Instale o gerenciador no nó Proxmox usando o comando abaixo:

```bash
pveceph createmgr
```

Assim que o gerenciador estiver ativo, você pode habilitar o módulo do Dashboard. Ele já vem disponível com o serviço MGR e só precisa ser ativado:

```bash
ceph mgr module enable dashboard
```

O Dashboard oferece uma interface intuitiva para acompanhar o status do cluster, o uso dos OSDs e dos monitores, além de identificar alertas rapidamente. O acesso é feito pelo navegador, usando a porta padrão 8443:

```none
https://<PROXMOX_IP>:8443
```

Substitua `PROXMOX_IP` pelo endereço IP do nó Proxmox onde o Ceph Manager foi instalado.

## Passo 7: criar e testar pools do Ceph

Depois de configurar o cluster Ceph e ativar todos os OSDs, você pode criar as áreas de armazenamento onde os dados serão gravados. O Ceph **organiza os dados em pools**. Um pool é uma unidade lógica usada para armazenar arquivos, imagens de disco ou volumes de contêiner. Cada pool é composto por vários Placement Groups, que distribuem os dados entre os OSDs para equilibrar a carga. Com os pools, você define **como e onde o Ceph armazena os dados**. Assim, é possível criar pools diferentes de acordo com a necessidade: por exemplo, um pool para máquinas virtuais e outro para backups ou imagens de contêineres.

Para criar um pool, execute o comando abaixo em um dos nós Proxmox:

```bash
pveceph pool create cephpool --size 3 --min_size 2 --pg_num 128
```

No exemplo abaixo, criamos um pool com o nome `cephpool`. Os parâmetros definem como o Ceph lida com os dados:

- `--size 3` significa que cada dado é replicado três vezes. Isso garante tolerância a falhas: se um OSD falhar, ainda haverá duas cópias disponíveis.
- `--min_size 2` define que pelo menos duas cópias precisam estar ativas para que o pool seja considerado funcional. Isso evita que o Ceph opere com dados incompletos.
- `--pg_num 128` define o número de Placement Groups, ou seja, os contêineres lógicos nos quais o Ceph divide os dados internamente. Quanto maior o número de OSDs no cluster, maior pode ser esse valor para garantir uma distribuição equilibrada dos dados.

Nota O número de Placement Groups definido ao criar um pool **não pode ser reduzido depois**. Esse número pode ser aumentado à medida que o cluster cresce, mas não é possível diminuí-lo sem risco de perda de dados. Por isso, é importante planejar desde o início uma quantidade suficiente de PGs. Como regra geral, usar cerca de 100 PGs por OSD no pool é um bom ponto de partida para ambientes pequenos e médios.

Depois de criar o pool, verifique se o cluster está funcionando corretamente.

```bash
ceph -s
```

Na saída, você verá o status atual do seu cluster Ceph. Se aparecer a indicação `HEALTH_OK`, isso significa que o pool foi configurado corretamente e que o cluster está funcionando de forma estável.

Dica Um cluster Ceph garante redundância, mas não substitui backups regulares. Para proteger os dados em ambientes Proxmox, é recomendável usar o [Proxmox Backup Server](https://www.ionos.com/pt-br/digitalguide/servidor/configuracao/proxmox-backup-server/). Ele permite criar backups deduplicados e criptografados de VMs e contêineres, mesmo quando esses dados estão armazenados no Ceph.

## Passo 8: integrar o armazenamento Ceph ao Proxmox

Depois que o cluster Ceph estiver configurado e o primeiro pool criado, o último passo é **integrar esse armazenamento ao Proxmox** para que as máquinas virtuais e os contêineres possam utilizá-lo. O Proxmox usa o protocolo RBD para essa integração, e a maneira mais simples de configurá-la é pela interface gráfica. Acesse a interface web e navegue até “Datacenter &gt; Armazenamento &gt; Adicionar &gt; RBD (Ceph)”.

No diálogo, insira os dados de conexão do cluster Ceph.

- Em ID, defina um nome exclusivo para o novo destino de armazenamento.
- Em monitores, insira os endereços IP dos seus Ceph MONs. Estes são os endereços dos nós onde os serviços de monitor estão em execução. Separe os endereços por vírgulas, por exemplo: 10.0.0.11,10.0.0.12,10.0.0.13.
- No campo Pool, insira o nome do pool Ceph criado anteriormente, como `cephpool`.
- Como usuário, normalmente você pode usar `admin`.
- O campo Keyring é preenchido automaticamente, pois o Proxmox lê a chave de autenticação da configuração do Ceph.

Nota Se preferir usar a linha de comando, você pode fazer o mesmo procedimento com um único comando:

```bash
pvesm add rbd ceph-storage --monhost <mon1,mon2,mon3> --pool cephpool --content images
```

Substitua &lt;mon1,mon2,mon3&gt; pelos endereços IP dos nós de monitoramento.

Depois de adicionar o armazenamento, ele passa a aparecer na interface do Proxmox e pode ser **selecionado diretamente como destino para máquinas virtuais**. A partir desse momento, o Proxmox usa o Ceph como backend de armazenamento, e todas as VMs criadas ali se beneficiam automaticamente da redundância e da tolerância a falhas do cluster Ceph.

Dica Se no futuro você quiser rodar um [cluster Kubernetes no Proxmox](https://www.ionos.com/pt-br/digitalguide/servidor/configuracao/cluster-kubernetes-no-proxmox/), a integração com o Ceph é especialmente vantajosa. O Ceph funciona muito bem como armazenamento persistente para o Kubernetes. Dessa forma, seus contêineres se beneficiam da mesma redundância e alta disponibilidade que as máquinas virtuais.


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