Computação de ponta
Na Internet das Coisas (IoT), os dispositivos geram continuamente uma grande quantidade de dados que devem ser armazenados e analisados em tempo real para aplicações de extrema importância. A computação de ponta analisa esses dados diretamente na fonte, dando assim início a uma mudança de paradigma na era da computação em nuvem.
O que é o edge computing? Uma definição
A computação de ponta é um modelo de conceção para ambientes de IoT que fornece recursos informáticos, como espaço de armazenamento e capacidade de processamento, o mais próximo possível dos dispositivos finais e dos sensores geradores de dados. Desta forma, o conceito representa uma alternativa aos serviços convencionais na nuvem com servidores centrais.
O termo «Edge» é o equivalente inglês de «borda» ou «margem». Entende-se, assim, que o processamento dos dados nesta abordagem não é realizado de forma centralizada na nuvem, mas sim de forma descentralizada na periferia da rede. Desta forma, o edge computing oferece o que até agora a nuvem não conseguiu: servidores capazes de analisar dados em massa de fábricas inteligentes, redes de abastecimento ou sistemas de transporte sem tempo de espera e que podem tomar medidas imediatas caso algo aconteça.
Noções básicas sobre a computação de ponta
Na computação de ponta, tecnologias já conhecidas são organizadas de forma mais compacta sob um novo nome. A seguir, faremos um resumo dos conceitos básicos mais importantes da computação de ponta.
- Edge: na gíria informática, o «edge» é a «periferia» da rede. Os componentes que fazem parte dessa periferia variam consoante a situação. Nas redes de telecomunicações, por exemplo, um telemóvel faz parte da periferia da rede, enquanto num sistema de veículos autónomos interligados cada um dos carros faz parte dessa periferia.
- Dispositivos de borda: um dispositivo de borda pode ser qualquer dispositivo que gere dados na borda da rede. As fontes de dados podem ser sensores, máquinas, veículos ou aparelhos inteligentes num ambiente de IoT, como, por exemplo, máquinas de lavar roupa, alarmes de incêndio, lâmpadas ou termóstatos.
- Gateways de borda: um gateway de borda é um computador que funciona como ponto de intersecção entre duas redes. Em ambientes de IoT, os gateways de borda são utilizados como pontos de presença entre a Internet das Coisas e a rede central.
Computação de ponta vs. computação de névoa
A ideia de ampliar a nuvem com computadores locais não é nova. Já em 2014, a multinacional tecnológica norte-americana Cisco cunhou o termo comercial «fog computing». Assim, os dados gerados em ambientes de IoT não chegam diretamente à nuvem, mas são primeiro agrupados em pequenos centros de dados, onde são avaliados e selecionados para as fases seguintes do processamento.
Atualmente, o edge computing é considerado um ramo do fog computing, no qual os recursos informáticos, como a potência de processamento ou a capacidade de armazenamento, estão ainda mais próximos dos dispositivos terminais da IoT na periferia da rede. Isto leva a imaginar uma combinação de ambos os conceitos. O gráfico seguinte ilustra este tipo de arquitetura com os níveis de cloud layer, fog layer e edge layer.

As arquiteturas de referência para ambientes de fog computing e de edge computing são desenvolvidas no âmbito do OpenFog Consortium, uma parceria aberta entre a indústria e a comunidade científica.
Quais são as vantagens da computação de ponta?
Atualmente, a maior parte dos dados gerados na Internet é carregada em unidades de computação centrais. No entanto, as fontes de dados atuais são frequentemente móveis e encontram-se demasiado distantes do computador central para garantir um tempo de resposta (latência) aceitável. Isto é especialmente problemático em aplicações críticas como a aprendizagem automática e a manutenção preditiva, dois conceitos-chave do projeto de transformação Indústria 4.0, que se centra nos grandes desafios da indústria na transformação digital.
Espera-se que a manutenção preditiva revolucione tanto a manutenção como a gestão das fábricas do futuro. Este conceito de manutenção identificará o risco de falhas através de sistemas de monitorização inteligentes, antes que estas ocorram.
Neste sentido, a computação de ponta não se apresenta como um substituto, mas sim como um complemento da nuvem, oferecendo as seguintes funcionalidades:
- Recolha e agregação de dados: a computação de ponta realiza a recolha de dados perto da fonte, incluindo o processamento e a seleção prévios. O envio de dados para a nuvem ocorre apenas se a informação não puder ser avaliada localmente, se forem necessárias análises detalhadas ou se os dados tiverem de ser arquivados.
- Armazenamento local de dados: no caso de grandes volumes de dados, uma transmissão em tempo real a partir do servidor central na nuvem não é normalmente possível. Este problema pode ser evitado disponibilizando os dados correspondentes de forma descentralizada na periferia da rede. Nestes casos, os gateways de borda funcionam como servidores de réplica numa rede de distribuição de conteúdos ou CDN.
- Monitorização assistida por IA: a computação de ponta permite a monitorização contínua dos dispositivos conectados. Em combinação com algoritmos de aprendizagem automática, torna-se possível a monitorização do estado em tempo real.
- Comunicação M2M: a computação de ponta é frequentemente utilizada com a comunicação M2M para permitir a comunicação direta entre os dispositivos conectados.
O gráfico seguinte ilustra o princípio básico de uma arquitetura de nuvem descentralizada, na qual os gateways de borda funcionam como um elo de transmissão entre um computador central na nuvem e os dispositivos IoT na borda da rede.

Áreas de aplicação para arquiteturas de computação de ponta
As aplicações da computação de ponta surgem normalmente no contexto da IoT e constituem ainda um projeto para o futuro. Um importante fator de crescimento para a tecnologia da computação de ponta é a crescente procura por sistemas de comunicação capazes de funcionar em tempo real. A gestão descentralizada de dados é considerada uma tecnologia fundamental para os seguintes projetos:
- Comunicação entre veículos (car-to-car): a computação de ponta é importante para os sistemas de alerta precoce baseados na nuvem ou para os meios de transporte.
- Redes elétricas inteligentes: graças aos sistemas descentralizados de gestão de energia, a rede elétrica deve ser capaz de se adaptar às flutuações de potência. Os dados transmitidos aos produtores permitem responder em tempo real às alterações no consumo.
- Fábricas inteligentes: graças ao edge computing, é possível implementar instalações de produção e sistemas logísticos auto-organizados.
Vantagens da computação de ponta
A seguir, apresentamos as vantagens e desvantagens de uma arquitetura de edge computing em comparação com o ambiente de nuvem tradicional.
- Processamento de dados em tempo real: o processamento é realizado mais próximo da fonte de dados, o que evita o problema da latência dos serviços de nuvem tradicionais.
- Menor volume de transferência de dados: graças à análise local dos dados, é necessário transferir muito menos dados pela rede.
- Proteção de dados: facilita muito o cumprimento normativo por parte das empresas.
Desvantagens da computação de ponta
Apesar das inúmeras vantagens, a implementação da computação de ponta também acarreta uma série de desvantagens.
- Estrutura de rede mais complexa: um sistema distribuído é muito mais complexo do que uma arquitetura de nuvem centralizada.
- Custos de aquisição do hardware de ponta: a computação de ponta requer muito hardware local e, por isso, implica custos de aquisição elevados.
- Maior custo de manutenção: um sistema descentralizado com numerosos núcleos computacionais requer um custo de manutenção e administração mais elevado do que uma unidade central.