Domínios expirados, também co­nhe­ci­dos como domínios aban­do­na­dos, são famosos no mundo do marketing digital. Eles nada mais são que endereços web re­gis­tra­dos por alguém e pos­te­ri­or­mente can­ce­la­dos ou não renovados após o fim do contrato. Em de­ter­mi­nado momento, domínios expirados são liberados para um novo registro. Na maioria das vezes, contudo, ocorre o contrário: pro­pri­e­tá­rios de sites não só protegem seus domínios pelo prazo mínimo de um ano como também prolongam seus contratos.

Di­fe­ren­tes motivos levam pessoas a can­ce­la­rem ou não renovarem um domínio. Se uma empresa fecha ou conclui um projeto, por exemplo, o res­pec­tivo site deixa de ser ne­ces­sá­rio e o contrato é fi­na­li­zado. São casos assim que pos­si­bi­li­tam pro­ve­do­res de domínios a re­ven­de­rem endereços expirados, dis­po­ni­bi­li­zando-os novamente no mercado. Dali em diante, qualquer um pode recuperar um domínio expirado.

Por que recuperar um domínio expirado

Domínios expirados são par­ti­cu­lar­mente in­te­res­san­tes por já terem uma clas­si­fi­ca­ção nos me­ca­nis­mos de busca. Backlinks de endereços expirados podem ser re­cu­pe­ra­dos e reu­ti­li­za­dos, o que não só é de grande valia para o SEO, como também economiza im­por­tante carga de trabalho relativa a links de entrada. Via de regra, a clas­si­fi­ca­ção de um site cresce or­ga­ni­ca­mente com o passar dos anos, também por isso, recuperar um domínio expirado pode ser um in­te­res­sante atalho.

No entanto, recuperar um domínio expirado também tem seus riscos: adquirir um endereço que já esteve em uso só vale a pena se o res­pec­tivo site tiver tido bom tráfego e boa reputação. Domínios expirados de má reputação podem pre­ju­di­car a clas­si­fi­ca­ção do novo site caso já tenham tido problemas com bots, spam ou com pe­na­li­za­ções do Google. Assim sendo, pesquise bastante antes de adquirir um domínio expirado.

Ideia inicial

Foi o jornal es­ta­du­ni­dense The New York Times que revelou a história de Cameron Harris. Recém-formado em ciências políticas, ele conseguiu ganhar um bom dinheiro comprando e re­ven­dendo um domínio expirado. Depois de concluir seus estudos uni­ver­si­tá­rios, o jovem, de 23 anos, procurava por um modelo de negócios lucrativo quando teve a ideia de realizar um “ex­pe­ri­mento so­ci­o­ló­gico”, como ele mesmo descreveu. A ideia foi clas­si­fi­cada pelo periódico como uma “obra-prima das fake news”.

Para começar, Cameron publicou alguns artigos na internet que acabaram por receber poucos acessos e quase nenhuma atenção. Contudo, quando escreveu que a candidata à pre­si­dên­cia dos Estados Unidos, Hillary Clinton, acre­di­tava que o as­sas­si­nato de um gorila tivesse sido motivado por questões raciais, ele passou a receber crescente atenção. Contente com os re­sul­ta­dos, o recém-formado continuou abordando temas polêmicos re­la­ci­o­na­dos à política. Em um de seus textos, ele acusou o ex-pre­si­dente e esposo de Hillary, Bill Clinton, de estar envolvido em uma rede de ex­plo­ra­ção de menores, o que teria culminado em um suposto pedido de divórcio.

hJPcyXe5lAk.jpg Para exibir esse vídeo pre­ci­sa­mos usar cookies de terceiros. Você pode acessar e mudar suas con­fi­gu­ra­ções de cookies here.

Lucrar após recuperar um domínio expirado

Ao pesquisar um domínio expirado para comprar, Cameron encontrou o endereço christiantimesnewspaper.com por US$ 5 no provedor de domínios Expired Domains. Ele imaginava que este nome trans­mi­ti­ria cre­di­bi­li­dade como fonte de notícias e por isso o escolheu. Ao começar a receber alguma no­to­ri­e­dade, ele passou a publicar “notícias” sobre a disputa eleitoral pre­si­den­cial entre Hillary Clinton e Donald Trump.

Em seu artigo mais popular, Cameron explorou uma teoria da cons­pi­ra­ção que já corria na internet: que dezenas de milhares de votos em Hillary Clinton teriam sido en­con­tra­dos em um depósito no estado de Ohio. Segundo o texto, que também continha fotos de fun­ci­o­ná­rios ar­ma­ze­nando caixas com as células ma­ni­pu­la­das, a polícia estaria in­ves­ti­gando o caso e des­con­fi­ava que o resultado das eleições poderia estar sendo ma­ni­pu­lado. De acordo com a história, as células deveriam ser con­tra­ban­de­a­das até locais de votação para serem trocadas, dando a vitória à Hillary.

Para divulgar o artigo, Cameron criou inúmeros perfis falsos no Facebook, que o espalhou pela pla­ta­forma. A tática funcionou, vi­ra­li­zando a teoria de fraude eleitoral. Graças a este único texto falso, o rapaz lucrou US$ 5 mil com o Google AdSense, devido ao número de cliques e com­par­ti­lha­men­tos.

Mais de 6 milhões de cliques foram re­gis­tra­dos e até mesmo o próprio Donald Trump com­par­ti­lhou a história. O político, que acabou por vencer as eleições pre­sen­ci­ais, já havia com­par­ti­lhado outras notícias falsas que atacavam ad­ver­sá­rios, ques­ti­o­na­vam a le­gi­ti­mi­dade do então pre­si­dente Barack Obama e con­tes­ta­vam a imprensa. A prática cer­ta­mente con­tri­buiu para a ascensão do político e por sua vitória.

Conclusão do ex­pe­ri­mento

Cameron nega que suas notícias falsas tenham sido motivadas por crenças políticas. Ele afirma que fez o que fez com o único intuito de ganhar dinheiro na internet. Ao ser per­gun­tado se ele se sentia remorso por divulgar fake news sobre a candidata à pre­si­dên­cia, Cameron respondeu ba­si­ca­mente que, como a política já se basearia em exageros e meias verdades, ele pouco teria se desviado de práticas já comuns na área.

O cientista político também afirmou que não teria problemas em divulgar artigos contra Trump, caso estes apa­ren­tas­sem ser mais lu­cra­ti­vos. Ele teria agido como agiu por entender que apoi­a­do­res de Trump se mostravam mais im­pul­si­vos que os apoi­a­do­res de Hillary e mais dispostos a com­par­ti­lhar notícias en­vol­vendo o candidato e sua oponente.

Embora Cameron insista ser re­pu­bli­cano, como Hillary, e não democrata, como Trump, ele diz que seu único interesse era lucrar com o seu site uti­li­zando, para tanto, o Google Ads. Ao descobrir a história, o Google acabou por bloquear anúncios do site.

No que concerne a compra e venda de domínios expirados, Cameron errou somente em esperar. Ele poderia ter vendido seu domínio por um bom preço, devido às suas con­quis­tas de SEO, mas não o fez. Neste meio tempo, o Google o detectou como fonte de fake news e tirou seus anúncios do ar. Pos­te­ri­or­mente, uma auditoria confirmou que o endereço perdeu todo seu valor de mercado.

Apesar de tudo, Cameron não desistiu de ganhar dinheiro na internet. Durante o tempo em que alimentou seu site, ele coletou endereços de e-mail de vi­si­tan­tes por meio de um pop-up, com a desculpa formar o grupo “Stop the Steal” (parem de roubar). No grupo, que jamais existiu, membros teriam acesso a mais in­for­ma­ções sobre as supostas ma­ni­pu­la­ções de Hillary Clinton e dis­cu­ti­riam formas de evitá-las. Foi assim que Cameron conseguiu montar uma lista com 24 mil endereços de e-mail. Ele afirma ainda não saber o que fará com estes dados.

Consulta de Domínio
Ir para o menu principal