Obter capital inicial e apoio fi­nan­ceiro a longo prazo são metas im­por­tan­tes que startups devem atingir para serem bem-sucedidas. Startups dependem de ideias de negócios ino­va­do­ras, por isso precisam conseguir recursos fi­nan­cei­ros ra­pi­da­mente para se tornarem viáveis. Exa­ta­mente quanto capital inicial uma startup precisa dependerá do modelo de negócio escolhido. Igual­mente im­por­tante é o que fazer com o dinheiro recebido.

Além de credores tra­di­ci­o­nais, como bancos e ins­ti­tui­ções fi­nan­cei­ras públicas, como o BNDES (Banco Nacional de De­sen­vol­vi­mento Econômico e Social), existem hoje inúmeros pa­tro­ci­na­do­res e ins­ti­tui­ções es­pe­ci­a­li­za­das no fi­nan­ci­a­mento de startups. Abrir uma startup difere em parte da abertura de uma empresa com um modelo de negócio es­ta­be­le­cido. Por isso ex­plo­ra­mos, neste artigo, as prin­ci­pais opções para fundar e financiar uma startup.

Como conseguir capital para uma startup?

Se você planeja abrir um negócio, precisará de capital inicial. A quan­ti­dade varia de caso a caso: algumas startups precisam de muito pouco dinheiro para começar, enquanto outras precisam de apoio fi­nan­ceiro na casa das centenas de milhares, desde a fundação, para serem viáveis.

De qualquer forma, uma startup precisa pensar em meios de conseguir fi­nan­ci­a­men­tos de longo prazo, para um pla­ne­ja­mento e execução mais con­fiá­veis. O pla­ne­ja­mento fi­nan­ceiro para a fundação de uma startup deve tratar de questões relativas a capital próprio e dívidas con­traí­das.

Poucos fun­da­do­res dispõem de capital su­fi­ci­ente para iniciar um negócio sem ajudas fi­nan­cei­ras externas, razão pela qual é comum a busca e a tentativa de con­ven­ci­mento de credores, in­ves­ti­do­res, bancos e sub­si­diá­rios. Para que topem par­ti­ci­par da em­prei­tada, eles ge­ral­mente requerem um plano de negócios detalhado e abran­gente. No entanto, alguns fun­da­do­res de startups contentam-se em elaborar um plano fi­nan­ceiro ou de liquidez simples neste primeiro momento. O tempo a ser investido em cada uma das opções deve ser con­si­de­rado por você, ao optar por um ou outro.

O fi­nan­ci­a­mento de startups difere do fi­nan­ci­a­mento de empresas con­ven­ci­o­nais, já que startups fre­quen­te­mente operam em mercados novos ou ainda não existes. Em um setor de negócios menos estável, in­ves­ti­do­res podem ser mais difíceis de convencer devido aos riscos en­vol­vi­dos. Fi­nan­ci­a­do­res são es­pe­ci­al­mente re­lu­tan­tes em investir em modelos de negócios ainda não com­pro­va­dos no setor econômico visado.

Existem, contudo, várias maneiras de se adquirir fi­nan­ci­a­mento para startups. Este artigo detalhado fornece todas as dicas para facilitar esse processo.

Nota

As di­re­tri­zes da Lei Com­ple­men­tar nº 182/2021 (Marco Legal das Startups) regulam e in­cen­ti­vam a fundação de startups, ofe­re­cendo vantagens fiscais e re­gu­la­tó­rias a esse tipo de empresa. Além disso, órgãos como a CVM possuem regras es­pe­cí­fi­cas para captação de recursos por crowd­fun­ding.

Financiar startup com capital próprio

Capital próprio refere-se ao capital que o fundador ou fun­da­do­res de­sem­bol­sam ao abrir uma empresa, o que será con­si­de­rado um ativo. Como sua startup pos­si­vel­mente não será lucrativa durante a fase inicial, você pri­mei­ra­mente deve se perguntar: tenho algum dinheiro para investir no meu negócio? Se a resposta for não, será hora de pensar em outras opções de fi­nan­ci­a­mento. Quais pos­si­bi­li­da­des podem ser aplicadas ao seu caso?

Economias pessoais

Muitos fun­da­do­res usam suas economias pessoais para con­tri­buir com o fi­nan­ci­a­mento da própria startup. Quem puder financiar a operação completa com o próprio dinheiro atingirá o maior nível de liberdade possível, mas também correrá mais riscos de perder a maior parte de seus próprios ativos se a empresa der errado. Na maioria dos casos, é ne­ces­sá­rio algum tipo de fi­nan­ci­a­mento externo para fundar uma startup. É par­ti­cu­lar­mente im­por­tante obter fi­nan­ci­a­mento rápido se o modelo de negócio escolhido exigir maior in­ves­ti­mento, a con­tra­ta­ção de muitos fun­ci­o­ná­rios e uma in­fra­es­tru­tura mais robusta.

Pedir dinheiro em­pres­tado no âmbito privado

Alguns fun­da­do­res de empresas recorrem à família, aos amigos e a co­nhe­ci­dos para garantir o capital inicial ne­ces­sá­rio. Essas pessoas também podem ajudar fi­nan­cei­ra­mente, em­pres­tando quantias limitadas.

Quem escolhe pegar dinheiro em­pres­tado no âmbito privado pode muitas vezes fazê-lo sem juros e ter a opção de re­em­bol­sar a quantia ao longo de um período mais flexível – o que tem uma clara vantagem sobre um em­prés­timo con­ven­ci­o­nal. No entanto, em­prés­ti­mos de amigos ou fa­mi­li­a­res são delicados, por serem de natureza pessoal, e podem levar a de­sen­ten­di­men­tos pos­te­ri­o­res. Portanto, percorrer todos os cenários de reembolso e fechar acordos claros com os seus credores privados é essencial – ide­al­mente, faça e registre um contrato. Cer­ti­fi­que-se de que os seus pa­tro­ci­na­do­res estejam cientes de que startups podem falhar e que você talvez não possa pagar suas dívidas de imediato.

Se você pegar dinheiro em­pres­tado com o seu círculo íntimo e o aplicar na startup no seu próprio nome, a quantia será con­si­de­rada seu capital próprio. Ela também será con­si­de­rada um in­ves­ti­mento em ações se você oferecer ações aos seus credores.

In­ves­ti­do­res e aci­o­nis­tas

Via de regra, você também pode tentar con­quis­tar aci­o­nis­tas para a sua startup. Te­o­ri­ca­mente, eles podem ser as pessoas já men­ci­o­na­das, como fa­mi­li­a­res e amigos, ou contatos de negócios.

In­ves­ti­do­res de startups são ge­ral­mente chamados de anjos in­ves­ti­do­res. Esse tipo de in­ves­ti­dor não apenas fornece aos fun­da­do­res o fi­nan­ci­a­mento inicial ne­ces­sá­rio para a abertura da startup, mas também ajudam no de­sen­vol­vi­mento e/ou na expansão da empresa. Em troca, esses in­ves­ti­do­res costumam exigir ações da empresa. Em muitos casos, esses aci­o­nis­tas também demandam algum poder de decisão no que se refere ao pla­ne­ja­mento es­tra­té­gico da startup, limitando a sua liberdade de tomada de decisão. Jus­ta­mente por isso, busque por parceiros que com­par­ti­lham das mesmas ideias que você em se tratando do futuro da empresa.

In­cu­ba­do­ras e ace­le­ra­do­ras

Além de fi­nan­ci­a­men­tos públicos para startups, centros privados também costumam financiar startups. Entre eles estão in­cu­ba­do­ras e ace­le­ra­do­ras de negócios. Você terá que se tornar membro dessas ins­ti­tui­ções para ter acesso aos be­ne­fí­cios ofe­re­ci­dos. Cada centro costuma promover tipos es­pe­cí­fi­cos de startups, por exemplo de base tec­no­ló­gica ou voltadas a um público-alvo es­pe­cí­fico). Como regra geral, in­cu­ba­do­ras e ace­le­ra­do­ras oferecem con­sul­to­ria fi­nan­ceira e in­fra­es­tru­tura ope­ra­ci­o­nal. Elas con­tri­buem com o capital inicial (ge­ral­mente recebem ações da empresa em troca) e fornecem ori­en­ta­ção e suporte para o es­ta­be­le­ci­mento poder operar e crescer.

In­cu­ba­do­ras e ace­le­ra­do­ras também costumam ajudar na obtenção de mais capital e de contatos na indústria, bem como na busca pelo local ideal para a empresa (es­cri­tó­rio, fábrica, armazém etc.).

Capital de risco

Outra opção de fi­nan­ci­a­mento para startups é o capital de risco. Trata-se de capital próprio fora da bolsa, em que fundos de capital de risco adquirem ações de uma empresa con­si­de­rada arriscada. Esses fundos de capital fre­quen­te­mente de­sem­pe­nham um papel im­por­tante, in­flu­en­ci­ando a es­tra­té­gia dos negócios e as decisões dos anjos in­ves­ti­do­res e ace­le­ra­do­ras. Isso se deve às altas somas de dinheiro que injetam em uma startup.

Fundos de capital de risco clássicas são ativas no setor fi­nan­ceiro e nor­mal­mente têm mais capital do que in­cu­ba­do­ras ou in­ves­ti­do­res privados. Outro tipo de capital de risco é o corporate venture capital (CVC), concedido a startups por grandes cor­po­ra­ções como forma de di­ver­si­fi­car suas operações. No Brasil, empresas como a Vale e o Itaú Unibanco têm programas ativos de CVC.

Financiar startup com crédito

Em­prés­ti­mos são comumente usados para garantir capital inicial, con­sis­tindo em quantias que devem ser de­vol­vi­das dentro de um de­ter­mi­nado prazo e ge­ral­mente estão sujeitas a uma taxa de juros. Nor­mal­mente, em­prés­ti­mos são obtidos de ins­ti­tui­ções fi­nan­cei­ras.

Em­prés­ti­mos bancários clássicos

Crédito bancário é uma das maneiras mais comuns de financiar uma empresa. No entanto, muitos bancos são re­lu­tan­tes em fornecer fi­nan­ci­a­mento inicial para startups, pois estas são con­si­de­ra­das mais ar­ris­ca­das do que negócios tra­di­ci­o­nais.

Outra razão pela qual bancos podem hesitar em conceder créditos a startups é a falta de garantias dadas por parte dos fun­da­do­res. Mesmo assim, não descarte de imediato essa pos­si­bi­li­dade. No Brasil, algumas ins­ti­tui­ções fi­nan­cei­ras oferecem produtos es­pe­cí­fi­cos para pequenos negócios, como o programa BNDES Mi­cro­cré­dito ou opções de fi­nan­ci­a­mento voltadas à inovação, graças a parcerias com agências de fomento como a Finep (Fi­nan­ci­a­dora de Estudos e Projetos).

Em­prés­ti­mos es­pe­cí­fi­cos para startups

No Brasil, existem ini­ci­a­ti­vas criadas es­pe­ci­fi­ca­mente para fornecer fi­nan­ci­a­mento a startups. Por exemplo, o BNDES Garagem apoia startups em di­fe­ren­tes fases, ofe­re­cendo recursos fi­nan­cei­ros e ca­pa­ci­ta­ção. Além disso, bancos como o Banco do Brasil e o Bradesco têm linhas de crédito para em­pre­en­de­do­res, ge­ral­mente vin­cu­la­das a programas de inovação.

Algumas co­o­pe­ra­ti­vas de crédito, como o Sicredi e o Sicoob, também oferecem linhas de crédito a condições di­fe­ren­ci­a­das para pequenas empresas e startups. Esses em­prés­ti­mos podem ser usados para capital de giro, compra de equi­pa­men­tos, de­sen­vol­vi­mento de produtos ou expansão de operações.

Ao buscar crédito, é essencial que você prepare um plano de negócios bem es­tru­tu­rado e, se possível, consiga apoio de ins­ti­tui­ções como o Sebrae, que oferece con­sul­to­rias e pode auxiliar na ela­bo­ra­ção de propostas es­pe­cí­fi­cas para a captação de recursos.

Con­sul­to­ria e fi­nan­ci­a­mento público para startups

Existem di­fe­ren­tes serviços de acon­se­lha­mento e con­sul­to­ria para em­pre­en­de­do­res. Entidades como o SEBRAE (Serviço Bra­si­leiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) oferecem con­sul­to­rias es­pe­ci­a­li­za­das para startups, que abordam desde a ela­bo­ra­ção do plano de negócios até a gestão fi­nan­ceira e es­tra­té­gica da empresa. O SEBRAE também organiza eventos e programas voltados à inovação e ao de­sen­vol­vi­mento de startups.

Muitas uni­ver­si­da­des bra­si­lei­ras possuem núcleos de inovação tec­no­ló­gica (NITs) e in­cu­ba­do­ras, que também ajudam em­pre­en­de­do­res na criação de negócios ino­va­do­res. Essas ini­ci­a­ti­vas fre­quen­te­mente incluem suporte técnico, con­sul­to­rias e, em alguns casos, acesso a editais de fi­nan­ci­a­mento público.

Subsídios e in­cen­ti­vos públicos

Fi­nan­ci­a­men­tos públicos são es­pe­ci­al­mente atrativos para startups bra­si­lei­ras, pois eles oferecem linhas de crédito sub­si­di­a­das ou até mesmo fomento direto (recursos não re­em­bol­sá­veis). Entre as prin­ci­pais ins­ti­tui­ções que oferecem esse tipo de subsídio estão:

  • BNDES: oferece programas es­pe­cí­fi­cos, como o BNDES Garagem, que inclui recursos fi­nan­cei­ros e mentoria para startups.
  • FINEP: oferece apoio a startups por meio de editais e linhas de crédito voltados à inovação tec­no­ló­gica.
  • Embrapii (Empresa Bra­si­leira de Pesquisa e Inovação In­dus­trial): conecta startups a ins­ti­tui­ções de pesquisa e inovação.

Para ter acesso a esse tipo de recurso, ge­ral­mente é ne­ces­sá­rio que você elabore uma proposta detalhada com in­for­ma­ções sobre o modelo do seu negócio, o impacto econômico e social do projeto, e a vi­a­bi­li­dade fi­nan­ceira dele.

Programas de fi­nan­ci­a­mento

Se a sua startup for escolhida para um programa de fi­nan­ci­a­mento público, você terá acesso a em­prés­ti­mos com juros baixos, e prazos de carência e/ou pagamento longos. Alguns programas, contudo, oferecem apoio fi­nan­ceiro somente para setores es­pe­cí­fi­cos, como tec­no­lo­gia, agro­ne­gó­cio e saúde.

Fi­nan­ci­a­men­tos estaduais e mu­ni­ci­pais também podem ser boas al­ter­na­ti­vas. Por exemplo, programas regionais de de­sen­vol­vi­mento econômico, como o Inova São Paulo e o Startup SC, fornecem apoio técnico e fi­nan­ceiro a startups nesses res­pec­ti­vos estados.

Com­pe­ti­ções entre startups

Também no Brasil, com­pe­ti­ções entre startups têm se tornado cada vez mais comuns, levando a outros be­ne­fí­cios que não somente apoio fi­nan­ceiro. Mentorias, vi­si­bi­li­dade na mídia e feedbacks es­pe­ci­a­li­za­dos costumam estar incluídos nas pre­mi­a­ções. Com­pe­ti­ções como o InovAtiva Brasil e o Sebrae Like a Boss têm como objetivo conectar startups a in­ves­ti­do­res e capacitar em­pre­en­de­do­res para enfrentar os desafios do mercado.

Algumas dessas com­pe­ti­ções têm foco em di­fe­ren­tes estágios de de­sen­vol­vi­mento: do pla­ne­ja­mento inicial a startups já es­ta­be­le­ci­das e em fase de expansão.

Fi­nan­ci­a­mento e in­ves­ti­mento coletivo

No Brasil, o fi­nan­ci­a­mento coletivo (crowd­fun­ding) e suas variações, como o in­ves­ti­mento coletivo (crow­din­ves­ting), vêm ganhando um espaço cada vez maior, tornando-se uma al­ter­na­tiva viável para a captação de recursos para startups.

O fi­nan­ci­a­mento coletivo é mais uma forma de atrair recursos para um projeto ou ideia, ar­re­ca­dando con­tri­bui­ções de in­te­res­sa­dos. Pla­ta­for­mas bra­si­lei­ras como Catarse, Kickante e Ben­fei­to­ria permitem que em­pre­en­de­do­res apre­sen­tem suas ideias ao público e es­ta­be­le­çam uma meta fi­nan­ceira para exe­cu­ta­rem o projeto.

Os apoi­a­do­res dos projetos ge­ral­mente recebem algo em troca, como produtos ex­clu­si­vos ou ex­pe­ri­ên­cias. Startups que propõem o de­sen­vol­vi­mento de pro­tó­ti­pos ou produtos podem arrecadar boas quantias com esse tipo de fi­nan­ci­a­mento.

O in­ves­ti­mento coletivo é uma mo­da­li­dade em que os apoi­a­do­res aportam capital em troca de par­ti­ci­pa­ção so­ci­e­tá­ria ou retorno fi­nan­ceiro. No Brasil, pla­ta­for­mas como a Kria e a Captable permitem que startups busquem in­ves­ti­do­res in­te­res­sa­dos em financiar suas operações. Essa mo­da­li­dade de in­ves­ti­mento é re­gu­la­men­tada pela Comissão de Valores Mo­bi­liá­rios (CVM), ga­ran­tindo a segurança dos in­ves­ti­do­res e processos trans­pa­ren­tes.

O em­prés­timo coletivo (peer-to-peer lending) funciona de forma se­me­lhante ao fi­nan­ci­a­mento coletivo, mas tem o objetivo de captar recursos como em­prés­ti­mos. Pla­ta­for­mas digitais conectam empresas a in­ves­ti­do­res dispostos a emprestar dinheiro em troca de juros. Essa mo­da­li­dade pode ser uma boa opção para startups que encontram di­fi­cul­da­des em obter crédito bancário. Neste caso, contudo, as taxas de juros costumam variar de­pen­dendo do risco percebido.

Fases de fi­nan­ci­a­mento de uma startup

O fi­nan­ci­a­mento de startups no Brasil segue padrões se­me­lhan­tes aos de outros países, passando por di­fe­ren­tes fases à medida que a empresa avança:

  1. Fase inicial (seed): Fi­nan­ci­a­mento ge­ral­mente ori­gi­ná­rio de capital próprio, apoio de amigos e fa­mi­li­a­res e programas de fomento como os ofe­re­ci­dos pelo SEBRAE e pelo FINEP.
  2. Fase de cres­ci­mento (early stage): Recursos pro­ve­ni­en­tes de in­ves­ti­do­res-anjo, in­cu­ba­do­ras, ace­le­ra­do­ras ou crowd­fun­ding. É o momento em que o modelo de negócios já foi validado, e o foco está em expandir as operações.
  3. Fase de expansão (growth): Nesta etapa, entram em cena in­ves­ti­do­res de maior porte, como fundos de capital de risco e linhas de crédito mais robustas, como as do BNDES.
  4. Fase de con­so­li­da­ção (late stage): O objetivo é expandir ainda mais o mercado e preparar a empresa para possíveis fusões, aqui­si­ções ou abertura de capital (IPO).

Fase inicial: Fi­nan­ci­a­mento e fundação

Quem está fundando uma startup precisa de capital inicial para começar a operar. O quanto você necessita para começar depende da sua ideia de negócio. Por isso, é essencial elaborar um plano de negócios desde o início, para que também seja possível entender melhor as opções de fi­nan­ci­a­mento dis­po­ní­veis (captação inicial).

Fase seed

Toda empresa começa com uma ideia de negócio. Durante a fase seed, os fun­da­do­res devem trabalhar nos detalhes e es­pe­ci­fi­ca­ções da ideia. Quanto mais sólido for o plano de negócios, mais fácil será garantir fi­nan­ci­a­mento inicial e o de­sen­vol­vi­mento da startup de forma sus­ten­tá­vel.

Analisar o mercado e o público-alvo é fun­da­men­tal para criar um modelo de negócios viável. Além disso, discutir sua ideia com pessoas ex­pe­ri­en­tes na área pode ajudá-lo a ajustá-la e fortalecê-la.

Durante essa fase, é crucial avaliar a com­po­si­ção da sua equipe, ve­ri­fi­cando se há ne­ces­si­dade de contratar mais pessoas ou buscar por pessoal es­pe­ci­a­li­zado. Não é apenas o plano de negócios que atrai in­ves­ti­do­res, mas também a ca­pa­ci­dade e a expertise da equipe fundadora. Startups com equipes com­pe­ten­tes têm maiores chances de atrair subsídios e apoio.

Fazer networ­king na sua área de atuação também é essencial. Par­ti­ci­par de eventos, feiras e grupos de discussão pode abrir portas para in­ves­ti­do­res e parceiros es­tra­té­gi­cos. É comum encontrar pro­fis­si­o­nais in­te­res­sa­dos em con­tri­buir fi­nan­cei­ra­mente ou até mesmo em con­tri­buir como mentores ou con­sul­to­res.

Outra etapa im­pres­cin­dí­vel é definir quanto dinheiro será ne­ces­sá­rio para im­ple­men­tar a ideia de negócio. Um pla­ne­ja­mento fi­nan­ceiro bem es­tru­tu­rado demonstra pro­fis­si­o­na­lismo e aumenta a confiança dos in­ves­ti­do­res. No Brasil, a obtenção de recursos para startups é de­sa­fi­a­dora devido ao alto risco associado ao in­ves­ti­mento em empresas nascentes. Ser trans­pa­rente e mostrar o potencial de sucesso da sua ideia são fatores decisivos.

A fase seed costuma durar cerca de um ano. Valores ne­ces­sá­rios para o cum­pri­mento dessa fase podem variar de R$ 50.000 a R$ 500.000, de­pen­dendo do setor e do produto. Algumas fontes comuns de fi­nan­ci­a­mento para a fase seed são:

  • Recursos próprios: Muitos em­pre­en­de­do­res dispõem de suas economias pessoais para financiar a fase inicial de uma startup. Apesar de limitado, esse recurso pode ser essencial para dar os primeiros passos.
  • Fa­mi­li­a­res, amigos e apoi­a­do­res in­di­vi­du­ais: Chamado de “3Fs” (Family, Friends, and Fools), esse modelo consiste em captar recursos de pessoas próximas que acreditam no seu projeto.
  • In­ves­ti­do­res-anjo e ace­le­ra­do­ras: In­ves­ti­do­res-anjo costumam investir em startups com alto potencial e oferecem não apenas capital, mas também mentoria e acesso a redes de networ­king. Ace­le­ra­do­ras também fornecem apoio fi­nan­ceiro e es­tra­té­gico.
  • Subsídios e programas públicos: O Brasil possui ini­ci­a­ti­vas como Startup Brasil e também divulga editais, como os do SEBRAE, que oferecem fi­nan­ci­a­mento para startups. Com­pe­ti­ções de inovação, como hac­kathons, também podem ajudar na captação de recursos.
  • Crowd­fun­ding: Pla­ta­for­mas como Catarse, Ben­fei­to­ria e Kickante permitem que startups apre­sen­tem seus projetos e arrecadem recursos do público em geral.

Fase de cres­ci­mento

Essa fase marca o início oficial de uma startup. O foco deve estar em de­sen­vol­ver o protótipo e a in­fra­es­tru­tura ne­ces­sá­ria para que a operação seja possível (pesquisa, produção, vendas etc.). Essa também é a etapa de começar campanhas de marketing e con­quis­tar os primeiros clientes.

Como é raro obter lucro nesse período, encontrar in­ves­ti­do­res alinhados com a visão do seu negócio é crucial. A fase de startup ge­ral­mente dura de 1 a 3 anos e pode incluir:

  • Apoio de ace­le­ra­do­ras ou in­ves­ti­do­res-anjo: Essas or­ga­ni­za­ções continuam sendo boas opções de apoio fi­nan­ceiro e es­tra­té­gico.
  • Editais e concursos: O InovAtiva Brasil e ini­ci­a­ti­vas do BNDES são exemplos de programas que apoiam startups.
  • Crowd­fun­ding: Durante essa fase, o fi­nan­ci­a­mento coletivo pode ganhar força, pois a ideia já estará mais bem es­tru­tu­rada, o que reduzirá o risco percebido pelos apoi­a­do­res.
  • Fundos de venture capital (VC): Embora a aprovação possa levar tempo, fundos como Monashees ou Kaszek Ventures buscam por startups em fases de cres­ci­mento inicial.

Fase de expansão

Após con­so­li­dar a entrada no mercado, o próximo passo é expandir a empresa. O processo de expansão é ge­ral­mente dividido em duas fases prin­ci­pais: na fase de cres­ci­mento e na fase de transição.

Fase de con­so­li­da­ção

O objetivo da fase de cres­ci­mento é es­ta­be­le­cer o produto ou serviço ofertado no mercado. Isso exige in­ves­ti­men­tos em dis­tri­bui­ção, marketing e in­fra­es­tru­tura. Também pode ser ne­ces­sá­rio responder ao aumento da quan­ti­dade de con­cor­ren­tes em mercados em expansão.

Se o negócio ainda não for lucrativo, é fun­da­men­tal que a equipe esteja focada em gerar mais receita e atrair novos fi­nan­ci­a­do­res. Formas comuns de fi­nan­ci­a­mento nessa etapa incluem:

  • Em­prés­ti­mos: Uma vez que a empresa se torna mais sólida, bancos sentem-se mais con­for­tá­veis em oferecer linhas de crédito es­pe­cí­fi­cas para startups.
  • Novos in­ves­ti­do­res-anjo ou fundos de VC: In­ves­ti­do­res dispostos a financiar startups em fase de expansão podem injetar capital sig­ni­fi­ca­tivo.

Fase de transição

Se a startup já for lucrativa, pode ser o momento de pensar em al­ter­na­ti­vas ou buscar novos mercados. Empresas nessa fase podem explorar a abertura de capital (IPO), ainda que no Brasil isso seja uma prática menos comum devido ao alto custo e à com­ple­xi­dade re­gu­la­tó­ria. Al­ter­na­ti­va­mente, startups mais bem es­ta­be­le­ci­das podem buscar in­ves­ti­do­res de capital privado ou con­so­li­dar parcerias es­tra­té­gi­cas para sustentar o cres­ci­mento.

Em estágios mais avançados, startups já con­so­li­da­das podem optar por expandir para novos mercados ou di­ver­si­fi­car as ofertas. Muitos em­pre­en­de­do­res optam por vender suas par­ti­ci­pa­ções nessa fase, en­cer­rando seu en­vol­vi­mento direto com a empresa. No Brasil, a saída de uma empresa pode ocorrer por meio da aquisição dessa por uma empresa maior ou pelo fe­cha­mento de parcerias es­tra­té­gi­cas. Outra opção é focar no cres­ci­mento orgânico e buscar sus­ten­ta­bi­li­dade de longo prazo.

No entanto, se os fun­da­do­res optarem por per­ma­ne­cer com a empresa e de­sen­volvê-la em vez de vendê-la, a fase de con­so­li­da­ção avançada começa. Nela, opções de fi­nan­ci­a­mento são bastante diversas: buscar cons­tan­te­mente por novos in­ves­ti­do­res e credores é tanto uma opção quanto o aumento do acúmulo de capital au­to­ge­rado. Se o lan­ça­mento no mercado de ações for bem-sucedido mais lucro será gerado.

Bo­ots­trap­ping: Fundar startup de forma in­de­pen­dente

Apesar de existirem inúmeras pos­si­bi­li­da­des de fi­nan­ci­a­mento para startups, alguns em­pre­en­de­do­res escolhem de­li­be­ra­da­mente financiar a própria empresa in­te­gral­mente com recursos próprios. Quando uma startup é criada sem o auxílio de in­ves­ti­do­res externos, dá-se o nome de bo­ots­trap­ping à prática.

Vantagens do Bo­ots­trap­ping

In­ves­ti­do­res tra­di­ci­o­nais de startups, como in­ves­ti­do­res-anjo, ace­le­ra­do­ras ou fundos de capital de risco, ge­ral­mente esperam uma com­pen­sa­ção pelo apoio fi­nan­ceiro e es­tra­té­gico, o que pode incluir par­ti­ci­pa­ção na gestão da empresa. Em­pre­en­de­do­res que optam pelo bo­ots­trap­ping, por outro lado, preservam sua autonomia, tendo total liberdade sobre as decisões em­pre­sa­ri­ais e retendo 100% dos lucros gerados.

Empresas que seguem a abordagem de bo­ots­trap­ping ge­ral­mente operam com maior efi­ci­ên­cia fi­nan­ceira, evitando custos des­ne­ces­sá­rios devido à limitação de recursos dis­po­ní­veis.

Outro benefício sig­ni­fi­ca­tivo é o aumento da reputação do fundador, que passa a ser visto como em­pre­en­de­dor re­si­li­ente e com­pe­tente. Caso seja ne­ces­sá­rio buscar capital externo no futuro, esse sucesso inicial pode atrair maior confiança de in­ves­ti­do­res e credores. Além disso, po­ten­ci­ais parceiros de negócios e clientes tendem a valorizar a ca­pa­ci­dade de um fundador em es­ta­be­le­cer uma empresa com recursos limitados.

Des­van­ta­gens do Bo­ots­trap­ping

Em­pre­en­de­do­res que seguem o modelo de bo­ots­trap­ping ge­ral­mente têm de ser pacientes e re­si­li­en­tes, já que a to­ta­li­dade da empresa precisa ser sus­ten­tada fi­nan­cei­ra­mente por eles até que receitas con­si­de­rá­veis sejam geradas. Ideias de negócios que demandam grandes in­ves­ti­men­tos iniciais, es­pe­ci­al­mente nas fases de expansão, podem ser inviáveis sem o suporte de capital externo.

Outro ponto crítico é o risco fi­nan­ceiro elevado. Quando os fun­da­do­res assumem in­te­gral­mente o fi­nan­ci­a­mento inicial de uma empresa, eles também arcam sozinhos com os prejuízos em caso de falência, o que pode levar a grandes perdas fi­nan­cei­ras pessoais. Além disso, a ausência de in­ves­ti­do­res externos significa que os em­pre­en­de­do­res não podem contar com ori­en­ta­ção es­tra­té­gica ou suporte con­sul­tivo, o que pode ser uma des­van­ta­gem sig­ni­fi­ca­tiva, es­pe­ci­al­mente para fun­da­do­res inex­pe­ri­en­tes.

Resumo

Há uma ampla gama de opções para financiar startups no Brasil. Com um plano de negócios bem es­tru­tu­rado, é possível atrair in­ves­ti­do­res e obter apoio fi­nan­ceiro para trans­for­mar a sua ideia em realidade. No entanto, é im­por­tante adaptar es­tra­té­gias de fi­nan­ci­a­mento às ca­rac­te­rís­ti­cas e ne­ces­si­da­des es­pe­cí­fi­cas da sua startup e levando em conta o mercado em que ela se encaixa.

Al­ter­na­ti­vas de Fi­nan­ci­a­mento no Brasil

  • In­ves­ti­do­res-anjo e ace­le­ra­do­ras: In­ves­ti­do­res in­di­vi­du­ais ou programas es­pe­cí­fi­cos podem oferecer capital inicial em troca de par­ti­ci­pa­ção acionária, além de fornecer mentoria e networ­king.
  • Editais públicos e subsídios go­ver­na­men­tais: No Brasil, programas como os do Sebrae, Finep e BNDES oferecem suporte fi­nan­ceiro para startups, tanto em estágios iniciais quanto em estágios avançados.
  • Crowd­fun­ding: Pla­ta­for­mas de fi­nan­ci­a­mento coletivo, como Kickante e Ben­fei­to­ria, permitem arrecadar fundos de apoi­a­do­res in­te­res­sa­dos em propostas de negócios.
  • Em­prés­ti­mos e crédito: Bancos e fintechs podem ser opções, es­pe­ci­al­mente com garantias do governo federal, para pequenas empresas.
  • Bo­ots­trap­ping: Escolha viável para em­pre­en­de­do­res que possuem capital próprio ou cujo modelo de negócios pos­si­bi­lita geração rápida de receita. Apesar de ser mais de­sa­fi­a­dor, esse modelo de fi­nan­ci­a­mento oferece total in­de­pen­dên­cia. No entanto, antes de optar por ele, é im­por­tante que você analise cri­te­ri­o­sa­mente os custos e riscos en­vol­vi­dos, de modo a garantir a sus­ten­ta­bi­li­dade do negócio.

Con­cluindo, o sucesso no fi­nan­ci­a­mento de uma startup no Brasil depende de três fatores prin­ci­pais:

  1. Clareza no modelo de negócios e vi­a­bi­li­dade fi­nan­ceira.
  2. Com­pre­en­são do ecos­sis­tema de startups local e das opor­tu­ni­da­des.
  3. Ca­pa­ci­dade de de­mons­trar re­si­li­ên­cia e adap­ta­bi­li­dade a in­ves­ti­do­res e parceiros es­tra­té­gi­cos.

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