Construir um negócio não é algo que sim­ples­mente acontece da noite para o dia. Nos bas­ti­do­res, sempre há uma quan­ti­dade con­si­de­rá­vel de pla­ne­ja­mento ne­ces­sá­rio a ser feito. Um plano de negócios atua como um guia para esse processo, pois reúne, organiza e resume todas as in­for­ma­ções-chave sobre o conceito do negócio e sobre os próximos passos. Ao elaborar um plano de negócios, você deve incluir fatos concretos e in­for­ma­ções im­por­tan­tes, bem como projeções fi­nan­cei­ras e previsões de opor­tu­ni­da­des e obs­tá­cu­los po­ten­ci­ais. Colocar no papel o projeto de de­sen­vol­vi­mento do seu negócio é tão im­por­tante quanto listar in­for­ma­ções sobre as finanças e a estrutura dele. Mas, no que planos de negócios para o e-commerce diferem dos demais? Existem di­re­tri­zes es­pe­cí­fi­cas para este tipo de em­pre­en­de­dor? Continue lendo para descobrir os elementos mais im­por­tan­tes a serem incluídos em um plano de negócios para uma loja virtual.

Por que criar um plano de negócios?

Muitos veem a criação de um plano de negócios como uma espécie de exercício obri­ga­tó­rio, fre­quen­te­mente ques­ti­o­nado por em­pre­en­de­do­res que já estão bastante avançados na fase de pla­ne­ja­mento. No entanto, todos os pro­pri­e­tá­rios de empresas podem se be­ne­fi­ciar ao vi­su­a­li­zar fatores im­por­tan­tes de pla­ne­ja­mento, es­tra­té­gia e finanças no papel, de forma detalhada. Nesse contexto, ter um plano de negócios abran­gente e es­tru­tu­rado pode ser altamente vantajoso, por dis­po­ni­bi­li­zar uma coleção completa de ideias e propostas. Os insights são valiosos não somente em termos de pla­ne­ja­mento de orçamento e cro­no­grama, como também na busca por in­ves­ti­do­res e parceiros co­mer­ci­ais. Para estes últimos, um plano de negócios costuma ser um fator decisivo no processo de tomada de decisão.

Como criar um plano de negócios

Um bom plano de negócios deve ser um guia para a fundação de uma empresa, conceito que também se aplica a empresas online. Enquanto a sua loja virtual ainda estiver nos estágios iniciais, ainda fará sentido continuar com o seu banco e contador pessoal. Dessa forma, seu negócio em fase de criação terá uma chance melhor de sucesso. Se a sua equipe de fun­da­do­res não tiver um pro­fis­si­o­nal com­pe­tente e ex­pe­ri­ente do setor fi­nan­ceiro, será difícil lidar com as finanças com a devida precisão. Embora a maior parte do pla­ne­ja­mento ainda recaia sobre os ombros dos fun­da­do­res, a con­ta­bi­li­dade é uma tarefa im­por­tan­tís­sima, que é pra­ti­ca­mente im­pos­sí­vel de ser realizada sem suporte pro­fis­si­o­nal.

Os planos de negócios ge­ral­mente seguem a mesma estrutura básica: começam com um resumo que bre­ve­mente delineia os pontos abordados. O primeiro parágrafo deve informar o leitor sobre os aspectos mais im­por­tan­tes do negócio, para despertar o interesse dele. Os prin­ci­pais dados sobre o projeto proposto também são im­por­tan­tes, es­pe­ci­al­mente o status legal. É im­por­tante que você indique as seguintes in­for­ma­ções no início do seu plano de negócios:

  • nome e endereço do negócio e de seus fun­da­do­res
  • data da fundação
  • objetivo do negócio
  • status legal
  • estrutura da empresa e status de posse

Somente depois de abordar esses pontos, um plano de negócios deve explorar outros aspectos. Aqui estão as prin­ci­pais in­for­ma­ções a serem abordadas, em resumo:

Ideia do negócio

O conceito do negócio é a pedra fun­da­men­tal de qualquer plano de negócios. O maior desafio aqui é resumir objetivos e intenções da loja virtual em apenas alguns pontos prin­ci­pais. A linguagem adotada deve ser clara e concisa, sem termos técnicos des­ne­ces­sá­rios. Pode ser uma boa ideia seguir o modelo elevator pitch: conceito que desafia pessoas a apre­sen­ta­rem seus modelos de negócios para um grupo, durante uma viagem de elevador de apenas 30 segundos. Nesse curto espaço de tempo, você deve ser capaz de delinear todas as in­for­ma­ções prin­ci­pais do seu negócio, incluindo objetivos, metas e es­tra­té­gias.

Perfil do negócio

Uma breve seção sobre o fundador ou a equipe fundadora ge­ral­mente também é incluída em um plano de negócios. Ela costuma abordar ha­bi­li­da­des re­le­van­tes, his­tó­ri­cos pro­fis­si­o­nais e ex­pe­ri­ên­cias no setor. Mesmo se você for usar o seu plano de negócios somente para questões externas, como para tratar de assuntos fi­nan­cei­ros ou pro­mo­ci­o­nais, ainda deverá registrar as ha­bi­li­da­des sig­ni­fi­ca­ti­vas da equipe fundadora, bem como sua própria ca­pa­ci­dade e ex­pe­ri­ên­cia. Ha­bi­li­da­des altamente va­lo­ri­za­das no setor de e-commerce incluem:

  • ha­bi­li­da­des técnicas, entre as quais co­nhe­ci­mento de pro­gra­ma­ção, e de­sen­vol­vi­mento e ins­ta­la­ção de softwares de lojas virtuais ou de sistemas de ge­ren­ci­a­mento de conteúdo.
  • ha­bi­li­da­des de marketing que provem que pelo menos um dos fun­da­do­res é es­pe­ci­a­lista em SEO, SEM ou marketing de afiliados, já que os conceitos são de grande valia em contextos de marketing e e-commerce.
  • ha­bi­li­da­des lo­gís­ti­cas que confirmem a ex­pe­ri­ên­cia do(s) fundador(es) com sistemas de gestão comercial, pro­ces­sa­mento de remessas, de­vo­lu­ções e outros.

Outras ha­bi­li­da­des re­le­van­tes incluem ha­bi­li­da­des fi­nan­cei­ras (con­ta­bi­li­dade, controle), ex­pe­ri­ên­cia em gestão (ge­ren­ci­a­mento de pessoal, aquisição de mer­ca­do­rias), ha­bi­li­da­des de serviço e ex­pe­ri­ên­cia jurídica.

Público-alvo

Definir um público-alvo é essencial ao elaborar um plano de negócios. Esse público-alvo será fun­da­men­tal em etapas pos­te­ri­o­res, que incluem es­tra­té­gias de marketing e pu­bli­ci­dade. Ao de­ter­mi­nar o público-alvo nesta fase inicial, você poderá descobrir o tamanho do seu mercado, que pro­por­ci­o­nará uma base de cálculos. No comércio ele­trô­nico, a apre­sen­ta­ção é fun­da­men­tal para atrair po­ten­ci­ais clientes.

A maioria dos pro­pri­e­tá­rios de negócios é capaz de iden­ti­fi­car quem poderá acessar sua loja virtual ainda na fase con­cei­tual. Isso ge­ral­mente requer, contudo, algum co­nhe­ci­mento sobre es­tra­té­gias de marketing, como B2B e B2C. Para definir o mercado-alvo da sua loja virtual, você deve ir um passo além e tentar es­pe­ci­fi­car: quais são os be­ne­fí­cios que ofe­re­ce­rei aos clientes? Quais são as ca­rac­te­rís­ti­cas dos meus clientes em potencial? Existem números ou estudos para respaldar essas su­po­si­ções? Essas são as perguntas que você deve responder ao de­ter­mi­nar um público-alvo mais preciso.

Dica

Personas ou Sinus-Milieus são ótimas fer­ra­men­tas que podem ajudar você a definir o(s) seu(s) público(s)-alvo(s).

Análise de mercado e da con­cor­rên­cia

Essa parte de um plano de negócios deve registrar a situação atual do mercado-alvo. Aqui, vale a pena incluir in­for­ma­ções como tamanho do mercado, es­tru­tu­ras ja exis­ten­tes no mercado e fatores in­flu­en­ci­a­do­res. É crucial que esses dados sejam medidos com precisão, portanto, consulte sites de as­so­ci­a­ções co­mer­ci­ais e afins para conseguir obter uma visão do status das outras lojas virtuais do seu segmento.

Um plano de negócios também deve con­tras­tar a situação do mercado com a da con­cor­rên­cia pre­do­mi­nante. É essencial que você reúna in­for­ma­ções sobre fatos, como sobre o nível de con­cor­rên­cia dos seus produtos — para muitos em­pre­en­de­do­res, isso pode fornecer a pedra fun­da­men­tal de todo o modelo de negócio. Colocar esses dados no papel fre­quen­te­mente revela po­ten­ci­ais fraquezas. Por exemplo, se você está tentando entrar em um mercado com­pe­ti­tivo com alta sen­si­bi­li­dade a preços, deverá con­si­de­rar ajustar o conceito ou a linha de produtos da sua loja virtual. Não vale a pena tentar entrar em um mercado saturado, a menos que você tenha uma es­tra­té­gia es­pe­ci­al­mente única ou uma ideia inovadora.

Es­tra­té­gia de marketing

Alcançar o sucesso no e-commerce depende do de­sen­vol­vi­mento de uma boa reputação, para trans­for­mar vi­si­tan­tes da loja virtual em com­pra­do­res de fato. No marketing, o movimento é conhecido como “gerar con­ver­sões”. Com a expansão do e-commerce, pro­pri­e­tá­rios de negócios agora podem se be­ne­fi­ciar da imensa variedade de es­tra­té­gias de marketing online e offline à dis­po­si­ção, que incluem news­let­ters, SEM, SEO, pu­bli­ci­dade em outdoors e panfletos etc. As técnicas de marketing que melhor se adequarão à sua loja virtual de­pen­de­rão de uma variedade de fatores, como das ha­bi­li­da­des dos fun­da­do­res e do co­nhe­ci­mento do mercado-alvo. No geral, uma es­tra­té­gia de marketing costuma estar di­re­ta­mente re­la­ci­o­nada ao plano or­ça­men­tá­rio.

Os seguintes aspectos devem ser incluídos nesta parte do plano de marketing:

  • soluções de marketing
  • política de preços
  • política de dis­tri­bui­ção
  • serviços re­le­van­tes

No mundo do e-commerce, USPs (Unique Selling Pro­po­si­ti­ons), como entrega rápida e de­vo­lu­ções gratuitas, podem ser fatores de escolha decisivos de um cliente pela sua loja virtual em de­tri­mento de outra. Quando se trata de adquirir novos clientes e gerenciar os já exis­ten­tes, técnicas tra­di­ci­o­nais de marketing devem ser con­si­de­ra­das tão im­por­tan­tes quanto pla­ta­for­mas de dis­tri­bui­ção ino­va­do­ras. Além de uma visão geral das ati­vi­da­des do mercado, um plano de negócios deve apontar fer­ra­men­tas de controle e in­di­ca­do­res-chave para se medir o sucesso.

Or­ga­no­grama

Essa seção do plano de negócios trata da or­ga­ni­za­ção geral da empresa e deve detalhar os aspectos re­le­van­tes da estrutura existente e do sistema de ge­ren­ci­a­mento. A visão geral deve começar com um esboço da estrutura or­ga­ni­za­ci­o­nal, do nível de gerência ao de fun­ci­o­ná­rios menos ex­pe­ri­en­tes. As qua­li­fi­ca­ções e ha­bi­li­da­des dos fun­da­do­res entram em jogo mais uma vez aqui, no de­ta­lha­mento da hi­e­rar­quia da empresa e dos papéis de gerência. A estrutura da equipe também deve incluir salários.

Essa parte do plano de negócios também deve apre­sen­tar planos de de­sen­vol­vi­mento de es­tra­té­gias de marketing e de vendas. Vendas têm sig­ni­fi­cado abran­gente em se tratando de lojas virtuais, pois a área inclui a aquisição de produtos, o ge­ren­ci­a­mento de produtos e as de­vo­lu­ções. Também é im­por­tante do­cu­men­tar questões ad­mi­nis­tra­ti­vas aqui, como balanços contábeis, impostos e questões legais, e elementos técnicos, como softwares de e-commerce e design do site.

Fi­nan­ci­a­mento

Criar um plano de finanças é, de longe, a parte mais complexa do processo de ela­bo­ra­ção de um plano de negócios. Nesse momento, re­co­men­da­mos que você busque a ajuda de es­pe­ci­a­lis­tas fi­nan­cei­ros. Entre os aspectos-chave a se con­si­de­rar estão:

  • projeção de de­sem­pe­nho das vendas (plano de 3 ou 5 anos)
  • capital de risco ne­ces­sá­rio
  • in­for­ma­ções sobre a liquidez da empresa

Não se esqueça dessas três áreas im­por­tan­tes:

Plano de ne­ces­si­dade de capital

É aqui que você es­pe­ci­fica quais recursos fi­nan­cei­ros precisará em cada etapa. Eles envolvem não apenas o custo inicial da empresa, mas também as despesas ope­ra­ci­o­nais contínuas. Ao escrever seu plano de ne­ces­si­dade de capital, considere a seguinte pergunta: quais recursos a empresa precisa tanto na fase inicial quanto na fase de cres­ci­mento? Se você não tiver recursos pessoais su­fi­ci­en­tes, deverá do­cu­men­tar em­prés­ti­mos e capitais externos.

Plano fi­nan­ceiro

Um plano fi­nan­ceiro deve apre­sen­tar a proporção de in­ves­ti­mento pessoal em relação aos fundos externos — o cálculo da ne­ces­si­dade de capital serve como base para essa figura. Na­tu­ral­mente, uma alta proporção de in­ves­ti­mento pessoal é desejável, no entanto, ao iniciar um negócio (par­ti­cu­lar­mente uma loja virtual) obter fundos adi­ci­o­nais é obri­ga­tó­rio. Eles podem ajudar a cobrir custos iniciais, como a aquisição de estoque.

Previsão de fa­tu­ra­mento

Uma previsão de fa­tu­ra­mento deve prever o de­sen­vol­vi­mento de uma empresa pelos próximos 3 a 5 anos. Obter uma visão realista do de­sen­vol­vi­mento da sua empresa é tão im­por­tante para os in­ves­ti­do­res quanto para você. Entre outras coisas, será útil comparar sua receita e os custos previstos.

Pers­pec­ti­vas e avaliação de riscos

Depois de reunir todas as in­for­ma­ções acima listadas, é hora de mergulhar na análise obri­ga­tó­ria de pers­pec­ti­vas e riscos. Um plano de negócios deve existir, fun­da­men­tal­mente, para destacar pontos fortes e opor­tu­ni­da­des de um projeto, mas uma análise detalhada de possíveis riscos e fatores críticos aumentará sua cre­di­bi­li­dade.

Aqui, é uma boa ideia criar di­fe­ren­tes versões do plano de negócios para di­fe­ren­tes des­ti­na­tá­rios, e em especial para o seu público interno (corpo de fun­ci­o­ná­rios e outros co­la­bo­ra­do­res). Por exemplo, você pode abordar possíveis di­fi­cul­da­des técnicas e custos, assim como a pro­ba­bi­li­dade de tais ocor­rên­cias. Nunca extrapole números no projeto e no conceito a serem apre­sen­ta­dos aos seus fun­ci­o­ná­rios. É crucial que o ambiente de trabalho seja cons­truído com base na confiança, com uma projeção honesta do de­sen­vol­vi­mento da empresa.

É im­por­tante que você delineie riscos po­ten­ci­ais ao apre­sen­tar o seu plano de negócios a in­ves­ti­do­res e pa­tro­ci­na­do­res. Isso aumentará sua cre­di­bi­li­dade e o pintará como um em­pre­en­de­dor sério, pois essas pessoas já sabem que nenhum negócio está isento de riscos. Tentar esconder falhas ou in­cer­te­zas só pre­ju­di­cará a sua loja virtual. Em qualquer que seja o caso, in­ves­ti­do­res ge­ral­mente realizam suas próprias ava­li­a­ções de risco antes de decidirem entrar em um negócio. Uma boa análise de riscos feita pelos fun­da­do­res deve trans­mi­tir ho­nes­ti­dade sem pre­ju­di­car o projeto. Para convencer in­ves­ti­do­res da sua com­pe­tên­cia, para cada risco previsto apresente uma es­tra­té­gia de prevenção ou um plano de defesa. Nor­mal­mente, análises de risco listam riscos fi­nan­cei­ros e de cres­ci­mento po­ten­ci­ais, bem como déficits de liquidez que podem surgir devido a variações nas vendas.

Conclusão: vale a pena o esforço

Criar um plano de negócios leva tempo e é tra­ba­lhoso. No entanto, qualquer pessoa que tenha com­ple­tado essa tarefa dirá que cer­ta­mente vale a pena o esforço. Ao reunir e organizar essas in­for­ma­ções, você forma um conceito de negócio completo, o que lhe ajudará, como em­pre­en­de­dor, a iden­ti­fi­car pontos fracos e problemas po­ten­ci­ais. Em alguns casos, um plano de negócios pode até prevenir o colapso de uma empresa. Um plano de negócios é, fun­da­men­tal­mente, o rascunho final do conceito de um negócio, para analisar sua vi­a­bi­li­dade e seu potencial. Ele também coloca as ha­bi­li­da­des em­pre­en­de­do­ras dos fun­da­do­res à prova e é crucial na so­li­ci­ta­ção de subsídios.

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