Demonstrações de fluxo de caixa são procedimentos contábeis nos quais o influxo e o outfluxo de caixa são claramente mapeados. O foco principal do documento é demonstrar como as finanças de uma empresa mudaram ao longo do ano. Ele visa apresentar, de forma transparente, todos os fundos acumulados pelo negócio, bem como os utilizados. Uma demonstração de fluxo de caixa fornece informações sobre quão preparada uma empresa está para gerar excedentes, cumprir com as obrigações de pagamento e fazer distribuições aos acionistas. Em resumo, a contabilidade de fluxo de caixa analisa mudanças em caixa e equivalentes de caixa durante um determinado período de tempo.

Fato

As finanças de uma empresa são definidas pelo saldo de caixa e os equivalentes de caixa. O caixa inclui todo o dinheiro em espécie, bem como os depósitos bancários disponíveis de imediato (à vista). Os equivalentes de caixa compreendem aplicações financeiras de curto prazo, de alta liquidez e prontamente conversíveis em montante conhecido de caixa, estando sujeitos apenas a um risco insignificante de mudança de valor.

O que é demonstração de fluxo de caixa?

Estritamente falando, o termo demonstração de fluxo de caixa (DFC) é enganoso: além de dados financeiros, o capital de uma empresa geralmente também inclui ativos tangíveis, como máquinas, equipamentos técnicos, terrenos, edifícios, equipamentos operacionais e veículos, que não podem ser rapidamente liquidados, sendo considerados ativos de longo prazo. Uma demonstração de fluxo de caixa, contudo, apresenta apenas o influxo e o outfluxo das finanças em dinheiro de uma empresa, ou seja, as mudanças em caixa e equivalentes de caixa durante um período de tempo, assim como suas causas.

Demonstração de fluxo de caixa: Opcional ou obrigatória?

No Brasil, a demonstração de fluxo de caixa é obrigatória para todas as companhias abertas, segundo a Instrução CVM 247/96, e para as sociedades de grande porte, conforme definido pela Lei nº 11.638/2007. Essa demonstração deve seguir as normas estabelecidas pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) no Pronunciamento Técnico CPC 03 (R2), que está alinhado ao IAS 7, e deve ser apresentada juntamente com as demonstrações contábeis, tais como o balanço patrimonial e a demonstração do resultado do exercício.

Gerenciar o fluxo de caixa com precisão é essencial para análises sobre uma empresa e está no melhor interesse de investidores e analistas. Demonstrações de fluxo de caixa são a melhor maneira de julgar a viabilidade a curto prazo de uma empresa, tornando-as particularmente importantes para pequenas empresas ou empresas que dependem de investidores que confiem na capacidade de pagamento das contas. Recomenda-se que qualquer empresa analise seu fluxo de caixa pelo menos uma vez por trimestre. Mesmo empresas que parecem lucrativas podem vir a enfrentar problemas importantes se não tiverem dinheiro suficiente para pagar as contas.

Que informações uma demonstração de fluxo de caixa deve conter?

A apresentação de informações em uma demonstração de fluxo de caixa deve seguir os padrões definidos pelo Pronunciamento Técnico CPC 03 (R2), que divide demonstrações de fluxo de caixa em três seções diferentes:

  • Fluxo de caixa de atividades operacionais
  • Fluxo de caixa de atividades de investimento
  • Fluxo de caixa de atividades de financiamento

Essas seções devem ser seguidas por uma declaração geral do aumento ou da diminuição líquida em caixa.

A preparação da demonstração pode ocorrer de duas maneiras, que variam apenas na forma como apresentam a seção operacional: o método direto, que é incentivado (embora não seja exigido) pelo CPC, e o método indireto. O método direto começa com o caixa recebido e, em seguida, subtrai o caixa gasto levando em conta os relatórios de recebimento e os pagamentos operacionais. O método indireto, por outro lado, começa com o lucro líquido, adiciona a depreciação de volta e, em seguida, calcula as mudanças levando em conta o balanço patrimonial. Ambos os métodos chegam aos mesmos resultados e o lucro líquido deve, em ambos os casos, ser conciliado aos fluxos de caixa líquidos das atividades operacionais.

À medida que o fluxo de caixa é calculado, os valores de depreciação vão sendo retirados da demonstração. Quaisquer receitas esperadas, mas que ainda não tenham sido recebidas também não devem ser incluídas. Acompanhe, abaixo, uma tabela que detalha a estrutura básica de uma demonstração de fluxo de caixa:

Imagem: Estrutura básica de uma demonstração de fluxo de caixa
Tabela apresenta a estrutura básica de uma demonstração de fluxo de caixa

Informações extras em uma demonstração de fluxo de caixa

Versão condensada do fluxo de caixa, uma demonstração de fluxo de caixa tem a intenção de fornecer um panorama abrangente da situação financeira de uma empresa, em um trimestre ou ano. Para facilitar a interpretação do documento, o CPC 03 (R2) prevê uma série de adições e declarações a serem incluídas nas notas explicativas. Estas incluem:

  • Informações sobre a composição das finanças
  • Reconciliação calculada do caixa e equivalentes de caixa do balanço correspondente
  • Caixa e equivalentes de caixa mantidos pela empresa, mas não disponíveis para uso
  • Informações separadas sobre fluxos de caixa relacionados à aquisição ou à venda de subsidiárias

Demonstrações financeiras trimestrais ou anuais também precisam conter as seguintes informações, caso ainda não tenham sido incluídas:

  • Demonstração separada dos fluxos de caixa de juros e dividendos, recebidos e pagos
  • Demonstração separada dos fluxos de caixa de impostos sobre a renda
  • Atividades não monetárias também podem ser divulgadas em notas de rodapé, incluindo:
    • Leasing para compra de ativo
    • Conversão de dívida em patrimônio líquido
    • Troca de ativos ou passivos não monetários por outros ativos ou passivos não monetários
    • Emissão de ações
    • Pagamento de impostos sobre dividendos em troca de ativos

Exemplo de demonstração de fluxo de caixa por método direto:

Imagem: Exemplo de demonstração de fluxo de caixa de método direto
Tabela apresenta exemplo de demonstração de fluxo de caixa de método direto
Nota

Acréscimos em dinheiro costumam ser listados normalmente, já decréscimos são apresentados entre parênteses.

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