O valor de certos ativos não é fixo: desastres econô­mi­cos, ca­tás­tro­fes naturais ou flu­tu­a­ções extremas no mercado podem acarretar danos fi­nan­cei­ros im­pre­vis­tos. Assim que uma perda por im­pair­ment for notada em uma de suas pro­pri­e­da­des con­ta­bi­li­zá­veis, você deve realizar um teste de im­pair­ment, também chamado de teste de re­cu­pe­ra­bi­li­dade. Ele pos­si­bi­lita ava­li­a­ções de ativos de capital, o que é de extrema im­por­tân­cia em balanços pa­tri­mo­ni­ais.

O que é im­pair­ment?

O termo im­pair­ment é usado quando o valor atual de um ativo não passa mais a cor­res­pon­der ao seu valor contábil em um balanço pa­tri­mo­nial. Isso significa que as in­for­ma­ções contidas pelo atual balanço pa­tri­mo­nial não cor­res­pon­dem mais à realidade. A empresa acabaria mostrando os ativos como sendo fal­sa­mente mais altos ou re­pre­sen­ta­ria in­cor­re­ta­mente seus ganhos e perdas. Em princípio, qualquer ativo ou passivo de um balanço pa­tri­mo­nial pode sofrer im­pair­ment (exceto contratos de cons­tru­ção). Nas normas contábeis ge­ral­mente aceitas (generally accepted ac­coun­ting prin­ci­ples, GAAP), ativos de­te­ri­o­ra­dos são abordados na de­cla­ra­ção 144, e o im­pair­ment ou dis­po­si­ção de ativos de longa duração nas subseções do ASC 360-10. Mais in­for­ma­ções podem ser en­con­tra­das no site da In­ves­to­pe­dia.

O im­pair­ment de todos os ativos é re­gu­la­men­tado pelo In­ter­na­ti­o­nal Ac­coun­ting Standard 36 (IAS 36). As únicas exceções aceitas são valores já re­gu­la­men­ta­dos por outros padrões. Estes incluem, por exemplo, estoques (IAS 2), contratos de cons­tru­ção (IAS 11) e ins­tru­men­tos fi­nan­cei­ros (IAS 39).

A maioria dos itens que uma empresa compra, como máquinas, veículos ou equi­pa­men­tos de TI, ge­ral­mente está sujeita ao im­pair­ment, devido a desgastes naturais, de uso e de tempo. Por isso, a de­pre­ci­a­ção pro­gra­mada deve ser aplicada a tais itens: con­ta­do­res começam a reduzir o valor contábil dos ativos assim que são ad­qui­ri­dos, atu­a­li­zando a de­pre­ci­a­ção com re­gu­la­ri­dade até que sejam vendidos, perdidos ou des­car­ta­dos. Além disso, con­ta­do­res também trabalham com de­pre­ci­a­ções não pro­gra­ma­das. Elas ocorrem tanto com ativos que depreciam conforme o planejado, quanto com aqueles afetados por uma perda ines­pe­rada de valor. O caso também se aplica a bens com vida útil in­de­fi­nida, que podem não depreciar conforme o esperado. Qualquer que seja o caso, você deve realizar um teste de im­pair­ment.

Qual é o propósito de um teste de im­pair­ment?

Testes de im­pair­ment são re­gu­la­men­ta­dos pelo In­ter­na­ti­o­nal Financial Reporting Standards (IFRS). Tratam-se de testes obri­ga­tó­rios de menor porte, que têm o propósito de de­ter­mi­nar o valor real de ativos. Eles pos­si­bi­li­tam a ela­bo­ra­ção de uma de­cla­ra­ção confiável sobre os ativos atuais de uma empresa, o que é par­ti­cu­lar­mente im­por­tante para in­ves­ti­do­res. Testes de im­pair­ment são re­a­li­za­dos de acordo com o IAS 36, sempre que houver suspeita de perda por im­pair­ment. As in­di­ca­ções podem ser tanto internas quanto externas.

Exemplos de in­di­ca­ções internas:

  • En­ve­lhe­ci­mento
  • Danos físicos
  • Algo passa a ser menos valioso do que antes devido a alguma re­es­tru­tu­ra­ção
  • Lu­cra­ti­vi­dade menor do que o esperado

Entre as in­di­ca­ções externas estão:

  • Declínio do valor de mercado
  • De­sen­vol­vi­mento econômico e fi­nan­ceiro ruim
  • Aumento das taxas de juros do mercado
  • Queda na bolsa de valores

Ativos in­tan­gí­veis com uma vida útil in­de­fi­nida, ativos que ainda não estão prontos para uso, e ativos goodwill (ágio) devem ser testados anu­al­mente para im­pair­ment. Você pode decidir quando o teste deve ser realizado, mas uma vez escolhida a data, siga com ela pelos anos seguintes.

Fato

Quatro quintos de todas as empresas agendam o teste obri­ga­tó­rio de im­pair­ment para a data limite do balanço pa­tri­mo­nial.

Pri­mei­ra­mente, determine o valor re­cu­pe­rá­vel do ativo, que pode ser o preço líquido de venda ou o valor em uso:

  • Preço líquido de venda: o número de vendas geradas por uma empresa após a dedução das de­vo­lu­ções, dos aba­ti­men­tos por mer­ca­do­rias da­ni­fi­ca­das ou faltantes e de quaisquer outros descontos.
  • Valor em uso: valor presente dos fluxos de caixa futuros esperados a serem gerados pelo uso contínuo do ativo.

O valor mais alto dos dois determina o valor re­cu­pe­rá­vel. Esse valor deve então ser comparado com o valor contábil. Valor contábil é o valor de um ativo tal qual consta no balanço pa­tri­mo­nial.

Imagem: Exemplo esquemático de uma comparação de valor contábil
Exemplo es­que­má­tico de uma com­pa­ra­ção de valor contábil

Se a com­pa­ra­ção mostrar que o valor contábil está acima do valor re­cu­pe­rá­vel, você terá en­con­trado uma perda por im­pair­ment. A con­sequên­cia é uma de­pre­ci­a­ção não pro­gra­mada que pode chegar à to­ta­li­dade do valor re­cu­pe­rá­vel.

LVm1pt4tcqQ.jpg Para exibir esse vídeo pre­ci­sa­mos usar cookies de terceiros. Você pode acessar e mudar suas con­fi­gu­ra­ções de cookies here.

Exemplo de teste de im­pair­ment de ágio

Quando uma empresa compra uma outra empresa, ela paga pelo preço de compra. Antes da re­a­li­za­ção da compra, o comprador deve calcular todos os ativos (incluindo quaisquer dívidas assumidas) que a empresa a ser comprada possui — esse valor pro­va­vel­mente estará abaixo do preço de compra. A diferença entre os dois valores é chamada de goodwill (ágio). O comprador aceita a diferença, porque acredita que os recursos ad­qui­ri­dos podem ser usados para a obtenção de mais lucro. A compra gera sinergias por meio de clientes po­ten­ci­ais, de par­ti­ci­pa­ções no mercado e de pers­pec­ti­vas de ganhos não incluídos nos ativos. Assim, o comprador demonstra ter goodwill (boa intenção) durante a ne­go­ci­a­ção do preço.

Nota

Em casos de goodwill, uma distinção entre o ágio original e o ágio derivado deve ser feita. O ágio original é aquele gerado pela própria empresa e não por aqui­si­ções, por isso não deve ser ativado.

Um estudo de caso é o da empresa Albatros, que comprou a empresa Bravo por 100 milhões de euros. Antes de fecharem a compra, es­pe­ci­a­lis­tas fi­nan­cei­ros da Albatros cal­cu­la­ram que a Bravo tinha um valor de ativos de 60 milhões de euros. Isso significa que 40 milhões de euros foram con­si­de­ra­dos goodwill.

O ágio aparece como um ativo no balanço pa­tri­mo­nial e valoriza a empresa. No entanto, é possível que ele diminua de valor dentro de um ano. Como outros ativos in­tan­gí­veis es­pe­cí­fi­cos, o ágio está sujeito ao teste de im­pair­ment obri­ga­tó­rio anual, tendo de ser auditado anu­al­mente. O valor, no entanto, não possui um fluxo de caixa iden­ti­fi­cá­vel e não pode ser vendido. Por essa razão, um nível de avaliação deve ser definido para fins de revisão: ele é chamado de unidade geradora de caixa (CGU), está di­re­ta­mente re­la­ci­o­nado ao ágio e precisa ser con­sis­ten­te­mente se­le­ci­o­nado de um período de li­qui­da­ção para outro (regra de con­sis­tên­cia). Por exemplo, uma empresa adquirida ou um de­par­ta­mento dessa mesma empresa pode ser definido como CGU.

A Bravo não foi tão bem-sucedida quanto se esperava, in­fe­liz­mente. Após um ano, a Albatros percebeu que seu valor de ativos era de 70 milhões de euros, sendo o preço líquido de venda correto de 80 milhões. Comparado ao valor pago de 100 milhões de euros (80 milhões de euros em ativos + 20 milhões de euros em goodwill), o valor re­cu­pe­rá­vel teria de ser de 80 milhões de euros. Assim, a Albatros registrou um im­pair­ment de ágio de 20 milhões de euros.

Agora, a empresa deve depreciar o ágio para que o balanço cor­res­ponda ao valor real. No caso da Albatros e da Bravo, o ágio foi de 100%. Se o ágio for superior ao valor contábil, nenhuma va­lo­ri­za­ção terá ocorrido ou ocorrerá. Nesse caso, o valor contábil permanece como está.

Resumo

Testes de im­pair­ment, também chamados de testes de re­cu­pe­ra­bi­li­dade, são um meio im­por­tante de se garantir que o balanço pa­tri­mo­nial de uma empresa seja o mais preciso possível. Violações de testes de im­pair­ment levam a erros em balanços pa­tri­mo­ni­ais e, portanto, a ava­li­a­ções in­cor­re­tas de empresas.

Ir para o menu principal