De acordo com o IFRS 13 (In­ter­na­ti­o­nal Financial Reporting Standard 13), norma com di­re­tri­zes contábeis na qual o CPC 46 é baseado, valor justo é o montante pelo qual um ativo pode ser negociado entre partes co­nhe­ce­do­ras e dispostas, em uma transação com in­de­pen­dên­cia mútua — o princípio da in­de­pen­dên­cia mútua reconhece que todas as partes en­vol­vi­das em uma transação agem de forma in­de­pen­dente, sem que haja uma relação especial entre elas. Assume-se que o preço pago por um ativo ou para se trans­fe­rir um passivo seja preciso, no dia em que a transação ocorre. Além disso, assume-se também que as partes en­vol­vi­das estejam agindo em seus melhores in­te­res­ses econô­mi­cos.

A ideia por trás da abordagem de men­su­ra­ção do valor justo é a de que ativos e passivos sejam re­a­va­li­a­dos pe­ri­o­di­ca­mente, para que mudanças de valor possam ser notadas — mudanças re­sul­tan­tes têm impacto no lucro líquido ou em outro resultado abran­gente para um período es­pe­cí­fico. Quando se trata de de­ter­mi­nar o valor justo, existem certas técnicas de avaliação que você pode usar, para as quais há muitos dados dis­po­ní­veis. As mais am­pla­mente uti­li­za­das são a abordagem de mercado, a abordagem de custo e a abordagem de receita, conforme descrito no IFRS 13.62.

Propósito do valor justo

A ideia por trás do cálculo do valor justo é pro­por­ci­o­nar maior ob­je­ti­vi­dade, trans­pa­rên­cia e re­le­vân­cia aos balanços anuais. Dado que esse é um padrão de avaliação comercial para negócios, ele não tem con­sequên­cia legais. Seu maior ponto positivo é, sem dúvida, sua validade e atu­a­li­dade, que resultam da avaliação, em tempo real, de ativos e passivos. Detalhes his­tó­ri­cos, como custos de aquisição e produção, que de outra forma serviriam como re­fe­rên­cia, não conseguem fornecer in­for­ma­ções tão atu­a­li­za­das quanto as do valor justo. Tanto para in­ves­ti­do­res atuais e futuros quanto para parceiros co­mer­ci­ais, o valor justo é a melhor forma de se avaliar o potencial de sucesso de um em­pre­en­di­mento. Além disso, ava­li­a­ções de valor justo servem como base para clas­si­fi­car fluxos de caixa futuros.

Hi­e­rar­quia do valor justo

O IASB (In­ter­na­ti­o­nal Ac­coun­ting Standards Board) adotou padrões de alguns de seus homólogos es­ta­du­ni­den­ses ao abordar problemas re­la­ci­o­na­dos a ava­li­a­ções. Assim, a chamada hi­e­rar­quia de valor justo foi es­ta­be­le­cida para a avaliação de ativos e passivos:

  • Nível 1: Valores justos baseados em preços de mercado cotados para ativos e passivos idênticos, assumindo-se que as partes en­vol­vi­das têm acesso imediato ao mercado.
  • Nível 2: Valores justos baseados em preços de mercado similares, ou seja, não idênticos aos ativos e passivos em questão.
  • Nível 3: Se os valores para os níveis 1 e 2 não estiverem dis­po­ní­veis, então o valor justo deve ser estimado uti­li­zando-se certas técnicas de avaliação.

Empresas são obrigadas a fornecer in­for­ma­ções de­ta­lha­das sobre como cal­cu­la­ram o valor justo. O método de avaliação e os pa­râ­me­tros de entrada uti­li­za­dos devem ser cla­ra­mente apontados. Também é ne­ces­sá­rio fornecer in­for­ma­ções básicas re­la­ci­o­na­das aos ativos ou passivos avaliados. Além disso, efeitos das ava­li­a­ções baseadas nos pa­râ­me­tros de nível 3 sobre os lucros/perdas de­cla­ra­dos devem ser de­ta­lha­dos por meio de notas de rodapé ou de anexos.

Quando é ne­ces­sá­rio definir o valor justo?

O valor justo atua como um padrão de avaliação im­por­tante, tanto em ava­li­a­ções iniciais quanto em ava­li­a­ções sub­se­quen­tes. Ele informa o valor de um ativo ou o custo de um passivo no momento da aquisição, bem como a flutuação desse valor/custo ao longo do tempo, e como essas mudanças impactam lucros ou perdas. Ava­li­a­ções de valor justo são obri­ga­tó­rias quando se trata dos seguintes ativos e passivos:

  • Todos os ativos que fazem parte de ativos pla­ne­ja­dos futuros (planos de pensão da empresa).
  • Provisões de pensão, na medida em que o valor delas for baseado no valor justo de títulos, estando acima do valor mínimo garantido.
  • Ativos, passivos, itens diferidos e itens especiais con­tro­la­dos ou par­ci­al­mente con­tro­la­dos por uma sub­si­diá­ria ou empresa irmã – com a exceção de provisões e de impostos diferidos.
  • Ativos, passivos, itens diferidos e itens especiais re­sul­tan­tes da par­ti­ci­pa­ção de empresas externas (limitados a custos de aquisição) – novamente, com a exceção de provisões e de impostos diferidos.

Os dois primeiros itens listados são es­pe­ci­al­mente im­por­tan­tes em ava­li­a­ções sub­se­quen­tes. Em princípio, o cálculo do valor justo de ativos in­tan­gí­veis só se torna uma opção quando se pode fazer uma distinção entre pesquisa e de­sen­vol­vi­mento.

De­ter­mi­nar o valor justo: Três abor­da­gens

Como men­ci­o­nado acima, quando se trata de calcular o valor justo, há três abor­da­gens de par­ti­cu­lar im­por­tân­cia. Enquanto a abordagem de mercado é orientada di­re­ta­mente ao res­pec­tivo mercado e in­flu­en­ci­ada pelos primeiros e segundos níveis hi­e­rár­qui­cos do valor justo, tanto a abordagem de custo quanto a abordagem de receita de­ter­mi­nam o valor justo com base nos critérios do terceiro nível da hi­e­rar­quia. Abaixo, apre­sen­ta­mos mais in­for­ma­ções sobre as abor­da­gens possíveis, bem como para quais situações elas são es­pe­ci­fi­ca­mente adequadas:

Abordagem de mercado

Como o nome sugere, esta é uma abordagem de avaliação orientada ao mercado. Ela consiste em di­fe­ren­ciar o uso de preços de mercado atuais e o uso de analogias para definir o valor justo. No primeiro caso, o preço de mercado concreto serve como diretriz para de­ter­mi­nar o valor justo — a condição é que, em se tratando de um mercado ativo, três re­qui­si­tos sejam atendidos:

  • Os ativos ou passivos em questão devem ser pre­do­mi­nan­te­mente ho­mo­gê­neos (separados de vínculos ge­o­grá­fi­cos ou materiais com qualquer con­cor­rente).
  • Ge­ral­mente, deve haver com­pra­do­res e ven­de­do­res dispostos e dis­po­ní­veis.
  • Os preços dos ativos em questão devem ser in­for­ma­ções públicas.

No segundo caso, não há preço de mercado concreto para o ativo em questão, o que significa que o valor justo deve ser de­ter­mi­nado por meio dos ativos com­pa­rá­veis. Para se fazer isso, os valores a serem com­pa­ra­dos devem ser mo­di­fi­ca­dos de acordo – por exemplo, por meio de aumentos ou reduções (mesmo o uso de mul­ti­pli­ca­do­res que podem ser ligados a receitas e ganhos é possível). A trans­pa­rên­cia do método de mercado faz dele a escolha preferida para cálculos de valor justo. Muitas vezes, dados in­su­fi­ci­en­tes ou ina­de­qua­dos tornam a aplicação do método de mercado im­pos­sí­vel, pois, em casos assim, nem o preço de mercado es­pe­cí­fico nem o valor com­pa­rá­vel estão dis­po­ní­veis.

Abordagem de receita

Também conhecida como método do valor presente líquido, essa abordagem se baseia no desconto de todos os fluxos de caixa re­le­van­tes, uti­li­zando uma taxa de juros equi­va­lente ao risco no dia da avaliação. Os dados, em com­bi­na­ção com os valores da quan­ti­dade e da duração dos fluxos de caixa, permite calcular o valor justo. Aqui estão os pro­ce­di­men­tos para a re­a­li­za­ção da men­su­ra­ção:

  • Método do fluxo de caixa des­con­tado: O valor é calculado usando-se os ganhos futuros, que podem então ser atri­buí­dos ao ativo em questão. Isso ocorre di­re­ta­mente na forma de fluxos de caixa.
  • Método de alívio de royalties: O valor justo é de­ter­mi­nado por meio de taxas de royalties futuras, que precisam ser pagas a um terceiro em troca de um ativo. Para que isso seja possível, a taxa de licença em questão é mul­ti­pli­cada pelo fa­tu­ra­mento.
  • Método do valor residual: O cerne desse método é que o ativo a ser avaliado é atribuído a qualquer renda, como a uma renda residual. Para isso, é ne­ces­sá­rio subtrair os fluxos de caixa de todos os outros ativos (tangíveis e in­tan­gí­veis) da renda total.
  • Método do excesso de ganhos: O método do excesso de ganhos envolve de­ter­mi­nar as mudanças em futuros fluxos de caixa, com base em economias de custo ou receitas geradas por ativos in­tan­gí­veis. Para essa de­ter­mi­na­ção, fluxos de caixa de empresas se­me­lhan­tes, nas quais o ativo a ser examinado não existe, são exa­mi­na­dos.

Todos os métodos de valor em dinheiro com­par­ti­lham um problema se­me­lhante: pa­râ­me­tros es­sen­ci­ais para a avaliação de qualquer objeto valioso estão abertos a in­fluên­cias e até mesmo a ma­ni­pu­la­ções, devido a es­ti­ma­ti­vas que são, em última análise, sub­je­ti­vas. Acima de tudo, em se tratando de fluxos de caixa, quan­ti­dade e tempo podem ser difíceis de se com­pre­en­der e objetivar.

Abordagem de custo

A abordagem de custo adota duas sub-abor­da­gens para de­ter­mi­nar o valor justo: o custo de re­pro­du­ção e o custo de subs­ti­tui­ção. O método do custo de re­pro­du­ção mensura o valor justo a partir de uma com­bi­na­ção de todos os custos ne­ces­sá­rios para re­pro­du­zir um ativo, assumindo que recursos e medidas idênticas são uti­li­za­dos. O método de subs­ti­tui­ção também é orientado aos custos que in­cor­re­riam da re­pro­du­ção do ativo, com valores idênticos também. Ao contrário do método de re­pro­du­ção, contudo, o método de subs­ti­tui­ção presume o uso de recursos e métodos atuais.

Os custos en­vol­vi­dos em tal avaliação incluem custos diretos ou fluxos de caixa, bem como custos indiretos, custos de opor­tu­ni­dade e salários dos em­pre­ga­do­res. Se o ativo a ser revisado já tiver sido avaliado em um estágio anterior, ainda será ne­ces­sá­rio de­ter­mi­nar a perda de valor monetário que ocorreu no meio tempo e subtrair esse valor para se obter o valor justo final. Entre as vantagens da abordagem de custo estão sua trans­pa­rên­cia e a ve­ri­fi­ca­bi­li­dade dos critérios de avaliação, embora deva ser notado que o processo de re­pro­du­ção de muitos ativos in­tan­gí­veis pode ser difícil de se executar.

Conclusão: Prós e contras do valor justo

Há ar­gu­men­tos a favor e contra o conceito de valor justo. O maior argumento a favor é que ele permite a re­a­li­za­ção de um balanço pa­tri­mo­nial mais preciso, que melhor reflete o valor presente de ativos e passivos. O valor desses ativos e passivos, por sua vez, reflete o mercado e, portanto, pro­por­ci­ona uma visão muito atu­a­li­zada do estado atual deste. O valor justo se concentra nas su­po­si­ções de um mercado e não é es­pe­cí­fico de uma única empresa ou entidade, o que garante que ele leva em conta quaisquer su­po­si­ções re­la­ci­o­na­das a riscos.

Por outro lado, há quem iden­ti­fi­que pontos negativos no valor justo, já que qualquer mudança nele causa uma maior vo­la­ti­li­dade em de­sem­pe­nhos fi­nan­cei­ros relatados pe­ri­o­di­ca­mente. Argumenta-se que ativos ou passivos atri­buí­dos com valor justo são po­ten­ci­al­mente enganosos, pois podem ser ir­re­le­van­tes para ativos/passivos a serem mantidos por um período mais longo. Problemas de liquidez, ir­ra­ci­o­na­li­dade de in­ves­ti­do­res, ine­fi­ci­ên­cias de mercado e modelos com­pa­ra­ti­vos pouco con­fiá­veis podem distorcer um valor justo. Há também quem diga que o modelo de con­ta­bi­li­dade do valor justo contribui para mercados econô­mi­cos instáveis e flu­tu­an­tes.

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