A principal diferença entre o K3S e o Ku­ber­ne­tes tra­di­ci­o­nal está na com­ple­xi­dade e no consumo de recursos. O K3S é uma versão mais leve do Ku­ber­ne­tes, de­sen­vol­vida para ambientes com recursos limitados e cenários de edge computing. Já o K8S inclui todos os com­po­nen­tes da dis­tri­bui­ção completa.

O que são K3S e K8S

O K3S é uma dis­tri­bui­ção leve do Ku­ber­ne­tes de­sen­vol­vida pela Rancher Labs. Ele mantém com­pa­ti­bi­li­dade total com as APIs do K8S, mas remove com­po­nen­tes e fer­ra­men­tas não es­sen­ci­ais para reduzir sig­ni­fi­ca­ti­va­mente o consumo de recursos. Essa abordagem mais enxuta torna o K3S ideal para cenários de edge computing, dis­po­si­ti­vos IoT e pequenos ser­vi­do­res, onde um cluster clássico do Ku­ber­ne­tes seria pesado demais.

O K8S é a principal pla­ta­forma open source para or­ques­tra­ção de con­têi­ne­res e re­pre­senta o Ku­ber­ne­tes “tra­di­ci­o­nal”. Ele permite gerenciar, escalar e au­to­ma­ti­zar apli­ca­ções con­tai­ne­ri­za­das em grandes ambientes de produção. O K8S oferece recursos avançados como self-healing, rolling updates e load balancing. Essa fle­xi­bi­li­dade o torna mais in­te­res­sante para clusters em­pre­sa­ri­ais, in­fra­es­tru­tu­ras de cloud e ar­qui­te­tu­ras complexas de mi­cro­ser­vi­ces. Em con­tra­par­tida, ele exige mais recursos e demanda maior ex­pe­ri­ên­cia ad­mi­nis­tra­tiva.

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Ins­ta­la­ção de clusters Ku­ber­ne­tes to­tal­mente au­to­ma­ti­zada, vi­si­bi­li­dade máxima e controle de clusters K8s.

K3S vs. K8S: as prin­ci­pais di­fe­ren­ças

As di­fe­ren­ças entre K3S e K8S podem ser agrupadas em alguns pontos prin­ci­pais.

1. Consumo de recursos

O K3S foi de­sen­vol­vido es­pe­ci­fi­ca­mente para ambientes com recursos limitados. Ele elimina vários com­po­nen­tes adi­ci­o­nais, como con­tro­la­do­res padrão do Ku­ber­ne­tes, con­tro­la­dor de ingress e sistemas de registro mais pesados, o que reduz sig­ni­fi­ca­ti­va­mente o uso de memória e CPU. Por isso, um cluster K3S costuma exigir muito menos da memória RAM e ca­pa­ci­dade de pro­ces­sa­mento do que um cluster K8S, sem perder as funções es­sen­ci­ais de or­ques­tra­ção de con­têi­ne­res. O K8S, por outro lado, foi projetado para escalar grandes clusters e oferecer o conjunto completo de fun­ci­o­na­li­da­des da pla­ta­forma, o que na­tu­ral­mente aumenta a demanda por recursos.

2. Ins­ta­la­ção e con­fi­gu­ra­ção

A ins­ta­la­ção do K3S é bastante simples: um único comando já permite con­fi­gu­rar um nó mestre ou um cluster com vários nós. Por padrão, o runtime de contêiner e os plugins de rede já vêm in­te­gra­dos. O K8S, por outro lado, exige várias etapas, como instalar o Kubelet, o Kube-Proxy, o APIServer e outros com­po­nen­tes, além da con­fi­gu­ra­ção manual da rede. Isso torna o K8S bem mais complexo e demorado de con­fi­gu­rar.

3. Abran­gên­cia de recursos e com­po­nen­tes

O K3S reduz de­li­be­ra­da­mente o escopo de recursos para incluir apenas o que é essencial na maioria dos cenários. Em alguns casos, extensões adi­ci­o­nais precisam ser ins­ta­la­das ma­nu­al­mente.

O K8S, por sua vez, oferece por padrão um conjunto muito mais completo de fun­ci­o­na­li­da­des, incluindo APIs mais amplas, mo­ni­to­ra­mento, registro e in­te­gra­ções com pla­ta­for­mas de cloud. Ele também depende de diversas fer­ra­men­tas externas, como o etcd para armazenar o estado do cluster, além de com­po­nen­tes separados como kube-apiserver, kube-con­trol­ler-manager e kube-scheduler. Já o K3S diminui o número de com­po­nen­tes não es­sen­ci­ais, reúne tudo em um único binário e usa SQLite como padrão no lugar do etcd.

4. Ambiente alvo

O K3S é es­pe­ci­al­mente indicado para cenários de edge computing, dis­po­si­ti­vos IoT, ambientes de teste e de­sen­vol­vi­mento e pequenos sistemas de produção. Já o K8S é otimizado para grandes clusters es­ca­lá­veis em data centers e ambientes de cloud. A escolha entre as duas opções depende sobretudo da carga de trabalho e dos recursos dis­po­ní­veis.

5. Segurança

O K8S foi de­sen­vol­vido para ambientes multi-tenant e cenários que exigem segurança cor­po­ra­tiva, ofe­re­cendo recursos avançados como controle de acesso baseado em funções, ge­ren­ci­a­mento flexível de segredos e opções de crip­to­gra­fia. O K3S também oferece controle de acesso baseado em funções e suporte a políticas, mas desativa alguns recursos de segurança por padrão para reduzir o consumo de recursos. Ainda assim, é possível adicionar essas medidas pos­te­ri­or­mente por meio das próprias fer­ra­men­tas do Ku­ber­ne­tes, o que torna o K3S adequado para ambientes de borda e cenários single-tenant.

6. Com­pa­ti­bi­li­dade e co­mu­ni­dade

O K3S é to­tal­mente com­pa­tí­vel com o K8S, mas nem todas as extensões do Ku­ber­ne­tes vêm incluídas por padrão. Sua co­mu­ni­dade é menor, porém bastante focada em leveza e im­plan­ta­ção rápida. O K8S, por outro lado, conta com a maior co­mu­ni­dade do ecos­sis­tema de or­ques­tra­ção de con­têi­ne­res, além de uma do­cu­men­ta­ção mais extensa e uma grande variedade de extensões com­pa­tí­veis.

K3S vs. K8S: casos de uso

O K3S é es­pe­ci­al­mente útil quando a in­fra­es­tru­tura é limitada ou quando im­plan­ta­ções rápidas e simples são ne­ces­sá­rias. Ele se encaixa bem em cenários típicos como dis­po­si­ti­vos de edge computing, pequenos ser­vi­do­res, apli­ca­ções IoT e ambientes de de­sen­vol­vi­mento e teste. Também é uma opção eficiente para apli­ca­ções de mi­cros­ser­vi­ços isolados ou projetos menores com baixa ne­ces­si­dade de es­ca­la­bi­li­dade, já que consome pouca memória e CPU.

O K8S é indicado para grandes ambientes de produção que exigem alta dis­po­ni­bi­li­dade, ba­lan­ce­a­mento de carga, au­tor­re­cu­pe­ra­ção e es­ca­la­bi­li­dade. Empresas utilizam K8S para or­ques­trar ar­qui­te­tu­ras complexas de mi­cros­ser­vi­ços, operar apli­ca­ções cloud native e gerenciar clusters dis­tri­buí­dos em vários data centers. A pla­ta­forma também atende bem equipes que precisam de recursos avançados de mo­ni­to­ra­mento e registro, políticas in­te­gra­das e di­fe­ren­tes opções de ar­ma­ze­na­mento.

Em cenários híbridos, uma abordagem comum é usar o K3S na borda ou em ambientes de de­sen­vol­vi­mento e K8S na cloud para clusters centrais de produção. Em resumo: o K3S é mais leve, rápido e econômico em recursos, enquanto o K8S é mais abran­gente, escalável e pensado para ambientes cor­po­ra­ti­vos.

Al­ter­na­ti­vas ao K3S e ao K8S

Além do K3S e o K8S, existem outras dis­tri­bui­ções de Ku­ber­ne­tes e pla­ta­for­mas de or­ques­tra­ção que podem ser úteis de­pen­dendo do caso de uso:

  • MicroK8s: o MicroK8s é uma dis­tri­bui­ção leve de Ku­ber­ne­tes criada pela Canonical. Ele é apro­pri­ado para de­sen­vol­ve­do­res, pequenos clusters ou ambientes de teste. O MicroK8s é modular, fácil de instalar e pode ser expandido com com­ple­men­tos como DNS ou mo­ni­to­ra­mento. Pela sua sim­pli­ci­dade, é uma ótima opção para testar o K8S em ambiente local antes de migrar para clusters maiores.
  • Minikube: Minikube é projetado es­pe­ci­fi­ca­mente para ambientes de de­sen­vol­vi­mento local. Ele oferece uma maneira rápida e simples de iniciar o Ku­ber­ne­tes em um único com­pu­ta­dor e testar apli­ca­ções con­tai­ne­ri­za­das. Minikube não é adequado para clusters de produção, mas é uma boa opção para conhecer os recursos do K8S ou de­sen­vol­ver pro­tó­ti­pos.
  • OpenShift: o OpenShift é uma pla­ta­forma da Red Hat baseada em Ku­ber­ne­tes que adiciona recursos em­pre­sa­ri­ais e fer­ra­men­tas de segurança. É es­pe­ci­al­mente in­te­res­sante para or­ga­ni­za­ções que precisam de clusters Ku­ber­ne­tes pa­dro­ni­za­dos com controles de ge­ren­ci­a­mento mais robustos. O OpenShift pode ser executado em ambientes locais ou na nuvem.
  • Docker Swarm: o Docker Swarm é uma solução de or­ques­tra­ção de con­têi­ners mais simples que o Ku­ber­ne­tes. Ele oferece apenas funções básicas de or­ques­tra­ção, o que o torna adequado para projetos menores que não exigem uma in­fra­es­tru­tura mais complexa, mas ainda precisam de co­or­de­na­ção entre con­têi­ners.
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